- Uma pesquisa encomendada pela The Donkey Sanctuary mostra que 46% dos consumidores de ejiao na China não sabem que a iguaria é produzida a partir de pele de jumento.
- A produção envolve abate de jumentos e impactos ambientais e sociais no mundo, com aumento da demanda pressionando populações de várias regiões.
- Entre 2008 e 2023, populações de jumentos caíram significativamente em países como Quirguistão (queda de 61%), Botsuana (queda de 75%) e Quênia (mais de 50% entre 2019 e 2024).
- Em 2024, a União Africana aprovou banimento do abate de jumentos para pele pelos próximos 15 anos; no Brasil, a Justiça Federal proibiu a prática devido ao risco de extinção.
- Pesquisas apontam que há interesse em alternativas de produção sustentável em laboratório, como agricultura celular, com estudos em andamento no Brasil (UFPR), podendo reduzir a necessidade de abate de jumentos.
Entre 2008 e 2024, a produção de ejiao, uma gelatina medicinal de tradição chinesa extraída de pele de jumento, envolveu questões ambientais, sociais e de bem-estar animal. A pesquisa mostra que quase metade dos consumidores no processo de compra não sabe dessa origem.
O ejiao é usado em cosméticos, tônicos, pílulas e alimentos, com promessas de efeitos variados. A atividade envolve o abate de jumentos, o que impacta populações animais devido à baixa taxa de reprodução. A cadeia de suprimento é global e afeta diversas regiões.
Na China, a demanda cresceu o suficiente para reduzir drasticamente o número de jumentos, levando o país a depender de importações. Entre 2008 e 2023, países da Ásia e da África registraram quedas expressivas na população de jegues, com impactos locais e globais.
Em 2024, a União Africana proibiu o abate de jumentos para retirada de pele por 15 anos. Em países africanos, a escassez de animais pode afetar a saúde feminina, a renda familiar, a nutrição e o acesso à água, especialmente onde o animal atua como meio de transporte.
No Brasil, um dos principais exportadores, o número de jumentos caiu 94% entre 1997 e 2024. Em abril, a Justiça Federal proibiu o abate de jumentos no país diante do risco de extinção, reforçando a necessidade de alternativas.
Alternativas e pesquisa brasileira
Uma pesquisa encomendada pela ONG The Donkey Sanctuary indica que 46% dos consumidores chineses de ejiao não sabem da origem animal. Entre jovens de 18 a 24 anos, o desconhecimento sobe para 68%.
A maioria dos entrevistados tem mais de 45 anos e reside em grandes cidades, com 98% citando motivos de consumo baseados em benefícios alegados. Cerca de 69% nunca tiveram informações sobre impactos ambientais da produção.
Ainda segundo o estudo, 76% aceitam versões produzidas de forma sustentável, em laboratório, sem abate de animais, se o preço for compatível. A tecnologia de cultivo celular figura como alternativa promissora.
Pesquisas brasileiras já exploram a produção de colágeno de jumento por fermentação de precisão. Na UFPR, estudos buscam fabricar o componente sem abate, utilizando microrganismos geneticamente modificados para o processo.
Especialistas destacam que o mercado global de ejiao movimenta bilhões e que soluções em laboratório podem transformar o setor, com potencial para ampliar a liderança brasileira em biotecnologia sustentável.
Entre na conversa da comunidade