- SUS atualiza protocolo de asma, ampliando opções de tratamento para casos graves com novos imunobiológicos e critérios de indicação.
- Novos fármacos incluídos: benralizumabe (Fasenra) e dupilumabe (Dupixent); mepolizumabe passa a ter indicação para crianças.
- Medicamentos ainda não estão disponíveis no SUS; ministério informou aquisição pelos estados e tramitação para inclusão na lista de procedimentos, com licitação em andamento para dupilumabe.
- Diagnóstico deve ser confirmado com espirometria; enfatiza-se uso de combinação de corticoide inhalado com dilatador brônquico em todas as etapas do tratamento.
- Ênfase na atenção primária, coordenação do cuidado e necessidade de materiais como espirômetros, além de treinamento de profissionais e descentralização do acesso a tratamentos e procedimentos.
O SUS atualizou o protocolo de asma, ampliando as regras para diagnóstico, tratamento e acompanhamento. A portaria detalha novas opções para casos graves e define critérios mais precisos para seleção de pacientes.
A mudança central envolve a incorporação de imunobiológicos no tratamento da asma grave. Agora passam a ser considerados benralizumabe, dupilumabe e a extensão do mepolizumabe para crianças, além de manter Xolair como opção já existente. A definição de cada medicamento segue o mecanismo da doença.
Apesar do avanço, os fármacos ainda não estão disponíveis no SUS. A SBPT reforça a necessidade de uma data definida para aquisição e distribuição aos estados, sob coordenação do Ministério da Saúde.
Implementação e prazos
O Ministério da Saúde informou que o benralizumabe será adquirido e distribuído aos estados conforme repasse já pactuado. A inclusão do fármaco na lista de procedimentos do SUS está em tramitação para viabilizar a oferta.
O ministério também confirmou o início de licitação para a compra direta de dupilumabe, mas não informou o prazo. A expectativa é que a chegada das drogas seja acompanhada de fluxos de atendimento compatíveis.
Diagnóstico, tratamento e orientação
O novo protocolo reforça que o diagnóstico não depende de um único exame. Combina histórico, exame físico e testes de função pulmonar, com ênfase na espirometria para confirmação. O subdiagnóstico e o superdiagnóstico são riscos destacados.
A recomendação é que, em casos de asma leve a moderada, a terapia com corticoide inalatório isolado não basta. Alterna-se para uma combinação de corticoide com broncodilatador, em todas as etapas do tratamento.
A atenção primária é priorizada como porta de entrada e coordenadora do cuidado. A avaliação de controle e a necessidade de tratamento personalizado devem ocorrer ao longo do acompanhamento, com referências para serviços especializados quando for o caso.
Perspectivas e desafios
A SBPT aponta que o acesso à combinação de corticoide e dilatador na atenção primária é essencial para o controle da doença. Dificuldades na adesão, uso inadequado de inaladores e déficit formativo são citados como entraves recorrentes.
O protocolo destaca a gravidade da asma como avaliação retrospectiva, após meses de tratamento, e a subdivide em leve, moderada e grave, com base na resposta aos medicamentos. Estudos indicam que o subdiagnóstico é comum em parte da população, o que impacta o tratamento eficaz.
Entre os sinais de alerta estão sintomas variáveis, piora à noite ou pela manhã e desencadeamento por exercício, infecções ou alérgenos. O objetivo é reduzir sintomas, evitar crises e manter a função pulmonar estável, minimizando o uso de medicamentos de alívio.
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