- O Glaciar Thwaites, do tamanho da Grã-Bretanha, pode receber uma cortina submarina flexível de até 80 quilômetros para bloquear a água quente que corrói a base do gelo.
- A principal causa de perda de massa é a Água Circumpolar Profunda Modificada, que entra pelo Mar de Amundsen e acelera o fluxo do gelo para o oceano, respondendo por cerca de 4% da elevação anual global do nível do mar.
- O custo estimado para uma barreira de 80 quilômetros fica entre US$ 40 e 80 bilhões ao longo de uma década, mais US$ 1 a 2 bilhões por ano em manutenção, segundo o Seabed Curtain Project.
- O estudo avalia quatro rotas no Mar de Amundsen; a opção inicial recomendada é uma cortina de 4,3 quilômetros no canal T2, a 548 metros de profundidade, sendo a rota OB a mais abrangente com 82 quilômetros.
- Antes de qualquer construção, são necessários apenas modelos oceânicos de alta resolução, testes de materiais, experimentos com icebergs, avaliação ambiental sob o Tratado da Antártica e planejamento logístico; os autores não defendem implantação imediata.
Um estudo avalia a viabilidade de uma barreira submarina flexível para o Glaciar Thwaites, no Mar de Amundsen, visando reduzir a água quente que corroe a base de gelo. A proposta envolve uma cortina de até 80 quilômetros de extensão, instalada no fundo oceânico.
O Thwaites é visto como crítico para o nível do mar: o derretimento ocorre por infiltração de água circumpolar profunda, que desestabiliza as plataformas flutuantes e acelera o fluxo de gelo para o oceano. Em caso de colapso total, pode elevar o nível do mar significativamente.
A ideia ganhou atenção internacional após divulgação de pesquisas com participação britânica e sul-coreana, destacando que a técnica não é um muro rígido, mas painéis modulares que se mantêm erguidos pela flutuabilidade. A escala é o diferencial em relação a soluções já usadas em reservatórios.
Quatro rotas candidatas e suas dimensões
O estudo analisa quatro caminhos possíveis no Mar de Amundsen, com extensões que variam de 4,3 a 82 quilômetros. O ponto de maior custo-benefício seria uma cortina inicial de 4,3 km no canal T2, próximo à porção ocidental do glaciar Thwaites, a 548 metros de profundidade.
- Rota T2 (início recomendado): 4,3 km; altura média 130 m; profundidade máxima 788 m.
- Rota IB (Baía Interior): 35 km; 127 m; 971 m.
- Rota T3: 50 km; 121 m; 783 m.
- Rota OB (Baía Externa): 82 km; 79 m; 679 m.
A rota OB é a mais abrangente, potencialmente protegendo os glaciares principais do Mar de Amundsen, incluindo Pine Island e Crosson. A cifra de 80 km costuma aparecer na imprensa como referência da solução completa.
Custos, viabilidade e próximos passos
Estimativas do Seabed Curtain Project apontam valores entre US$ 40 e 80 bilhões para a barreira de 80 km, ao longo de uma década, com manutenção de US$ 1 a 2 bilhões anuais. Mesmo assim, os autores dizem que o projeto é competitivo frente a geoengenharia.
Antes de qualquer piloto, é necessário anos de modelagem oceânica, testes de materiais e avaliação de impacto ambiental sob o Tratado da Antártica. Os pesquisadores destacam que não defendem a implantação imediata.
Desafios técnicos e regulatórios
Entre os principais desafios estão: modelagem oceânica de alta resolução; testes de materiais em condições extremas; simulações de interação com icebergs; avaliação ambiental conforme o Tratado; e logística de construção em uma região remota. Superar esses obstáculos é essencial para qualquer avanço.
Resumo e perspectiva
O estudo publicado no PNAS Nexus não garante a implementação, mas mapeia possibilidades. A cortina submarina pode nunca sair do papel, ou tornar-se um dos maiores projetos de engenharia ambiental da história. O Thwaites impõe tempo e decisões rápidas, com 65 centímetros de elevação potencial do nível do mar em jogo.
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