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Saúde bucal materna pode influenciar lábio leporino em bebês, aponta estudo

Estudo associa microbioma oral materno à fissura lábio-palatina; inflamação na gestação pode influenciar desenvolvimento do bebê e orientar prevenção

Achados sugerem uma possível associação entre a saúde bucal materna e o desenvolvimento da malformação no bebê — Foto: Magnific
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  • O estudo publicado na PeerJ analisou o microbioma bucal de 70 mães entre 2015 e 2019, com 34 bebês com fissura lábio-palatina e 36 sem a malformação.
  • As mães de bebês com fissura apresentaram diferença na composição bacteriana, com maior presença de bactérias associadas a infecções oportunistas.
  • A hipótese é de que inflamação bucal materna durante a gestação gere substâncias inflamatórias que podem alcançar a placenta e influenciar genes do bebê, contribuindo para a fissura de forma indireta.
  • Também houve diferença conforme o sexo do bebê: em gestações de meninos, houve menor presença de bactérias que reduzem inflamação, o que pode indicar menor proteção imunológica.
  • Os resultados destacam a importância da saúde bucal materna e podem embasar estratégias preventivas durante a gestação, com novas pesquisas previstas para aprofundar o tema.

Em estudo publicado na PeerJ, pesquisadores investigaram se o microbioma oral da mãe pode influenciar o desenvolvimento da fissura lábio-palatina em bebês. A pesquisa envolveu 70 mães entre 2015 e 2019, com 34 filhos que apresentaram a malformação e 36 sem a condição.

Os cientistas compararam amostras de saliva e dados clínicos para identificar diferenças na composição bacteriana entre os grupos. Fatores analisados incluíram sexo do bebê, infecção urinária materna, gengivite, cáries, hipertensão gestacional, uso de antibióticos e idade da criança.

Os resultados mostram variações no microbioma entre mães de bebês com e sem fissuras. Observou-se maior presença de bactérias associadas a infecções oportunistas em mães de crianças com a malformação, sugerindo possível relação com inflamação durante a gestação.

Evidências e interpretação

A professora Maria Rita Passos-Bueno explica que alterações hormonais na gravidez elevam a inflamação bucal, o que pode permitir a entrada de bactérias na corrente sanguínea materna e provocar resposta inflamatória. Substâncias inflamatórias podem alcançar a placenta e interferir no desenvolvimento fetal.

Ela ressalta que o efeito provável não é a passagem direta de microrganismos, e sim um impacto indireto mediado pela inflamação materna, capaz de modular a expressão de genes ligados à formação do rosto.

Diferenças por sexo e implicações

O estudo aponta diferenças conforme o sexo do bebê. Em gestantes de meninos, bactérias associadas à redução de inflamações aparecem menos em mães de bebês com lábio leporino, sugerindo menor proteção contra inflamação.

A fissura lábio-palatina, que afeta cerca de 1 a cada 1.000 nascidos, tem origem multifatorial e demanda terapias da fala, tratamentos odontológicos e cirurgias, gerando impacto para famílias e para o sistema público.

Perspectivas futuras dos autores

Os pesquisadores defendem aprofundar investigações para desenvolver protocolos de saúde bucal durante a gestação. Há apoio à realização de exames de imagem para diagnóstico precoce e à repetição do estudo com amostras do microbioma ao longo da gestação.

Eles destacam ainda a importância de fortalecer programas de saúde bucal materna, especialmente em populações de baixa renda, como parte de estratégias de prevenção. A equipe permanece dedicada a ampliar o conhecimento sobre causas e prevenção da fissura.

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