- Durante o São Paulo Innovation Week 2026, painel destacou que falta ambiente de testes e que há descompasso entre pesquisa e mercado para escalar tecnologias de base científica no setor de energia.
- Painelistas concordaram que o Brasil tem capital humano de excelência, mas falta infraestrutura e investimento de risco para transformar patentes em produtos competitivos, o que aumenta o custo e o tempo de desenvolvimento.
- O professor Marcelo Souza de Castro ressaltou que o problema não é a pesquisa, e sim a travessia do laboratório para o mercado, com pouca integração entre universidades e empresas e falta de ecossistema que transforme patentes em equipamentos.
- Hudson Zanin apontou competição global desigual, destacando que a China tem fábricas em escala e o Brasil precisa de regimes regulatórios e “sandboxes” para reduzir riscos, além de melhorar a leitura do mercado pela pesquisa.
- Douglas Veronez informou que, em 2026, o Brasil tem 952 Deep Techs (56% spin-offs), perde em captação de investimento frente Argentina e Chile, e vê espaço para avanços com investimentos contínuos, editais e atividade de Corporate Venture Capital, incluindo a Petrobras.
Durante o São Paulo Innovation Week 2026, especialistas discutiram o papel da Deep Tech no Brasil, especialmente no setor de energia. O painel reuniu academia e mercado para perguntar o que falta para transformar ciência em produtos comerciais. O consenso aponta para capital paciente e infraestrutura de teste.
O debate ressaltou que o Brasil tem talento humano de alto nível, mas falha na passagem da pesquisa para o mercado. A baixa integração entre universidades e empresas dificulta atravessar o “Vale da Morte”, fase em que a inovação ainda não vira produto. Falta também infraestrutura que reduza custos e tempo de desenvolvimento.
Segundo o professor Marcelo Souza de Castro, a grande entrave não é a pesquisa, mas o caminho seguinte. Ele citou exemplos de tecnologias com Petrobras que precisaram ser testadas na Escócia por ausência de ambientes locais. A situação eleva custos e afasta investidores com foco em retornos rápidos.
Barreiras regulatórias e mercado global
Hudson Zanin destacou que, apesar de avanços em baterias e biocombustíveis, a competição global favorece países com produção em escala. A China concentra milhares de fábricas, enquanto o Brasil ainda está em estágio inicial na produção local. O Estado precisa agir com regulatórios claros e sandboxes para reduzir riscos.
Outro ponto é a leitura de mercado. Muitos pesquisadores resolvem problemas desalinhados com as necessidades da indústria, segundo Zanin. Sem conexão forte com o mercado e um ambiente regulatório estável, as Deep Techs brasileiras podem enfrentar dificuldade de escalonamento diante de players internacionais.
Investimento e o futuro do ecossistema
Douglas Veronez, da Emerge, apresentou dados de 2026: são 952 Deep Techs no país, com 56% vindas de spin-offs acadêmicas. Ainda assim, o Brasil fica atrás de Argentina e Chile em captação de recursos. A ausência de um unicórnio de base científica persiste, mas há sinais positivos com a entrada de Corporate Venture Capital de grandes empresas, como a Petrobras.
Veronez apontou que Deep Tech requer mais capital e tempo, mas esse prazo pode diminuir com financiamento contínuo. O ecossistema tem mostrado adaptação, com editais da Finep e de agências de fomento ajustando exigências para empresas que ainda não faturam. A janela de oportunidade internacional e o potencial energético do Brasil alimentam a expectativa de novos cases de sucesso.
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