- Estudo da Universidade de Durham acompanhou doze crianças desde a gestação até os três anos de idade e encontrou indícios de memória de sabores ainda no útero.
- Filhos de mães que consumiram cápsulas de cenoura durante a gravidez apresentaram menos reações negativas ao cheiro da cenoura aos três anos; o mesmo ocorreu com o aroma da couve kale.
- Pesquisadores dizem que fetos conseguem perceber sabores no líquido amniótico e formar memória sensorial de longo prazo.
- A pesquisa reforça a ideia de que o paladar começa antes da primeira papinha e pode influenciar hábitos alimentares futuros.
- Ainda são necessários estudos maiores para confirmar se essa familiaridade com aromas leva a maior consumo de vegetais, mas os resultados abrem caminhos para estratégias de alimentação saudável durante a gravidez.
Cientistas da Universidade de Durham, no Reino Unido, conduziram um estudo que sugere que bebês podem reconhecer sabores ainda no útero. A pesquisa acompanhou 12 crianças desde a gestação até os três anos de idade para analisar reações a aromas de cenoura e couve kale.
Os fetos expostos aos aromas de cenoura ou kale durante a gravidez mostraram respostas faciais distintas ao nascer. Análises posteriores indicaram que, aos três anos, crianças cujas mães consumiram cenoura ou kale durante a gestação apresentavam menos reações negativas aos cheiros correspondentes.
Os autores defendem que o líquido amniótico transmite sabores que podem criar uma memória sensorial de longo prazo. A ideia é que a exposição a sabores específicos durante a gravidez possa moldar preferências alimentares futuras.
O estudo faz parte de uma linha de pesquisas iniciadas ainda no período gestacional, que já registrou mudanças de expressões fetais ao ouvir aromas de cenoura ou kale. Em seguida, as crianças foram avaliadas em testes de aceitação dos odores aos três anos.
Apesar dos resultados inéditos, os pesquisadores ressaltam a necessidade de estudos maiores para confirmar se essa familiaridade com cheiros leva ao maior consumo de vegetais na infância. Ainda assim, a pesquisa reforça que o paladar começa antes da primeira papinha.
As implicações podem incluir estratégias de alimentação mais saudáveis já na gravidez, principalmente para facilitar a aceitação de vegetais amargos na dieta infantil. A continuidade do tema exige novos experimentos com maior diversidade de participantes.
Entre na conversa da comunidade