- Em estudo em clínica de Tijuana, México, 30 veteranos de operações especiais dos Estados Unidos receberam ibogaína, droga alucinógena banida em muitos países.
- Após uma sessão de até 14 miligramas por quilo de peso, participantes relataram melhorias em PTSD, depressão e ansiedade; índices passaram de deficiência leve a moderada para inexistente ou leve.
- Ensaio adicional mostrou que a intensidade das experiências oníricas durante o tratamento estava associada a maiores melhorias nos sintomas de PTSD, tanto imediatamente quanto um mês depois.
- Pesquisadores seguem sem consenso sobre o mecanismo de ação da ibogaína, investigando se o efeito vem da química da droga ou das experiências psicoativas vividas durante o tratamento.
- Existem preocupações de segurança, com relatos de arritmias cardíacas e até morte em alguns casos; estudo em Stanford incluiu monitoramento médico rígido e uso de magnésio para proteção cardíaca.
Ibogaína é um entorpecente alucinógeno proibido em muitos países. Pesquisadores estudam seu potencial para tratar PTSD em veteranos, mas ainda sem consenso sobre como funciona.
Em um estudo conduzido no México, 30 militares das forças especiais dos EUA receberam ibogaína sob supervisão médica, com monitoramento de pesquisadores da Stanford University. A aplicação ocorreu em uma clínica de sexta a cada grupo de cinco participantes.
Os veteranos receberam até 14 miligramas por quilograma de peso, distribuídos ao longo de três horas. O tratamento foi acompanhado por preparação prévia e supervisão médica constante, com duração total de até 72 horas de observação.
O objetivo foi verificar efeitos sobre PTSD, depressão e ansiedade. Ao final da sessão, os pesquisadores registraram melhorias em várias esferas e uma transição de escores de deficiência de moderada para leve ou nula.
Um estudo de acompanhamento associou a intensidade das experiências vividas durante a ibogaína a maiores melhorias nos sintomas do PTSD, tanto de imediato como um mês após o tratamento.
Mecanismos em investigação
Os cientistas exploram como a ibogaína atuaria no cérebro, com hipóteses sobre receptores diferentes dos vistos em outras drogas psicodélicas. Pesquisas sugerem possível papel na restauracão de bainéis de mielina e na modulação de substâncias como noribogaína.
Outra linha aponta que a ibogaína pode aumentar fatores de neuroplasticidade, favorecendo reconexões neurais. Surpreendentemente, algumas evidências indicam que a experiência psicodélica intensa pode ser necessária para efeitos terapêuticos, embora haja trabalhos com versões sintéticas sem alucinógenos.
Apesar das possibilidades, a segurança é um ponto crítico. Existem relatos de arritmias cardíacas e mortes associadas à substância, o que justifica monitoramento rigoroso durante o protocolo de uso.
Realidade prática e futuro
No estudo de Stanford, a administração incluiu infusão intravenosa de magnésio para auxiliar o ritmo cardíaco. A proteção à saúde dos participantes foi priorizada com triagem e monitoramento contínuo.
A ibogaína não se tornou ainda uma opção amplamente disponível devido aos custos e à necessidade de ensaios clínicos randomizados em larga escala. Pesquisadores defendem mais dados para entender seus benefícios e riscos.
Nos Estados Unidos, houve impulso recente para acelerar avaliações regulatórias de psicodélicos com apoio de financiamento público. O objetivo é tornar tratamentos com substâncias como a ibogaína mais acessíveis, desde que comprovados em estudos robustos.
Entre na conversa da comunidade