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O que os cientistas argentinos sabem sobre a cepa Andes do hantavírus

Cepa Andes do hantavírus, estável e ligada a roedores, pode provocar transmissão entre pessoas em casos excepcionais, complicando vigilância epidemiológica

Variante presente há décadas na Patagônia é transmitida pelo rato-de-cauda-longa - (crédito: Getty Images)
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  • A cepa Andes do hantavírus circula há décadas na Patagônia argentina e chilena, transmitida por roedores silvestres, com casos excepcionais de transmissão entre pessoas, como no navio Hondius.
  • O reservatório principal é o rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus); a contaminação inicial ocorre por saliva, urina ou fezes de roedores infectados em ambientes fechados.
  • Eventos ambientais, como chuvas intensas associadas ao El Niño, podem aumentar a vegetação e a disponibilidade de alimento para roedores, elevando o contato com humanos; seca e incêndios tendem a reduzir as populações.
  • A transmissão entre humanos é rara, geralmente exige contato próximo de menos de um metro por cerca de trinta minutos; não se comporta como covid-19 ou gripe, e não há evidência de mutação recente que aumente a transmissibilidade.
  • Cientistas do Malbrán vão a Ushuaia para investigar se o roedor local é o rato-de-cauda-longa ou uma subespécie; neste ano foram registrados 102 casos de hantavírus na Argentina, quase o dobro do período anterior.

O hantavírus da cepa Andes continua circulando na Patagônia, Argentina e no Chile, transmitido por roedores silvestres. Um surto ligado ao navio de cruzeiro Hondius elevou o interesse pela capacidade de transmissão entre pessoas. Pesquisadores buscam entender como isso ocorre e por que é tão difícil acompanhar.

Especialistas destacam que o reservatório principal na região é o rato-de-cauda-longa, Oligoryzomys longicaudatus. O contágio inicial ocorre por contato com saliva, urina ou fezes de roedores infectados, sobretudo em ambientes fechados. Estudos relacionam fatores ambientais a variações de risco.

A análise aponta que chuvas intensas associadas ao El Niño podem aumentar vegetação e alimento para roedores, elevando a probabilidade de contato com trabalhadores rurais. Em contrapartida, seca e incêndios reduzem as populações de roedores. A relação com surtos humanos ainda é complexa.

O roedor e o meio ambiente

Conforme o biólogo Raúl González Ittig, eventos ambientais influenciam a circulação do vírus. Casos registrados na Argentina podem refletir mais contato humano em áreas com alta atividade de roedores. Entretanto, mais animais nem sempre significam surtos.

Para a infectologista María Ester Lázaro, a transmissão entre pessoas é de ocorrência excepcional e depende de contato muito próximo. Ela ressalta que não há evidência de que fatores ambientais expliquem esse modo de transmissão.

Contágio entre humanos

O epidemiologista Rodrigo Bustamante aponta que transmissão entre humanos não é regra, ocorrendo apenas com contato próximo de menos de um metro por cerca de 30 minutos. O hantavírus Andes é, em geral, menos transmissível que covid-19 ou influenza.

Pesquisadores veem o vírus como estável, sem mutações relevantes que expliquem maior transmissibilidade entre pessoas. Lázaro afirma que ainda não se entende por que o vírus pode passar de uma pessoa para outra em alguns casos.

Desdobramentos e pesquisas

González Ittig sugere que o vírus já possuía essa propriedade e que a ocupação humana de áreas rochosas anteriormente habitadas por roedores pode facilitar o contato. A investigação busca entender a dinâmica de transmissão e os fatores envolvidos.

Nas últimas campanhas, a Argentina registrou 102 casos de hantavírus de várias cepas, em 12 meses de vigilância, quase o dobro do período anterior (57). Pesquisas em Ushuaia visam esclarecer se o roedor local é o mesmo rato-de-cauda-longa.

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