- Pesquisadores, incluindo Michelle Segar, destacam a “armadilha do treino perfeito”, que leva à inação quando o plano não ocorre como esperado.
- Flexibilidade importa mais que disciplina; adaptar o treino facilita manter a prática mesmo com imprevistos.
- Abordagens tudo ou nada e desafios extremos costumam afastar pessoas; qualquer quantidade de atividade já é benéfica.
- Sugere-se ter planos alternativos e um “cardápio” de treinos com diferentes durações e intensidades para recorrer quando necessário.
- No longo prazo, manter a consistência é decisivo; ao retomar, definir metas pequenas e celebrar progressos ajuda a manter a prática.
Numa noite, Michelle Segar planejou correr antes do jantar, mas acabou atrasada por um e-mail longo. Em vez de encurtar a corrida, desistiu de treinar por completo. Esse comportamento costuma impedir metas de condicionamento físico.
Segar, cientista comportamental da Universidade de Michigan, chama esse padrão de armadilha do treino perfeito. Quando não há treino na forma desejada, muitos param de vez, segundo estudo recente. A ideia é que a exigência de perfeição atrapalha a prática.
A armadilha aparece de várias maneiras. Pode atrasar quem espera condições ideais para começar e também prejudicar a rotina já existente. O foco, segundo a pesquisadora, é mais flexibilidade do que disciplina.
A prática de tudo ou nada alimenta mensagens populares de atividade física. Muitos treinadores promovem planos sem lacunas e desafios que zeram o progresso ao perder um treino, o que contribui para a sensação de fracasso.
Mesmo quem recebe orientação médica para 150 minutos de atividade aeróbica semanal pode sentir que não há caminho. Criar uma mentalidade de flexibilidade ajuda a manter o hábito, dizem especialistas.
Se não é possível dobrar o treino, é possível adaptá-lo. Richey alerta que planos de treino devem ser vistos como flexíveis, não rígidos, para favorecer a continuidade.
Fazer algo é melhor do que não fazer nada
No mundo ideal, haveria janelas largas para se exercitar, porém a vida atrapalha. Segar defende que qualquer atividade conta como vitória, mesmo pouco esforço. Caminhadas suaves também reduzem riscos cardíacos.
Darlene Marshall acrescenta que pensar como vai se sentir após uma sessão ajuda a iniciar, em vez de desistir antes do começo. Dançar, alongar ou fazer agachamentos podem ser portas de entrada eficazes.
Tenha um plano alternativo
Edward Phillips, professor de Harvard, recomenda planejar contingências. Se não der para correr, caminhe; se faltar academia, use o peso do corpo em casa. Às vezes basta chegar dez minutos atrasado a uma aula.
Segar sugere montar um cardápio de treinos com variações de duração e intensidade para usar quando o plano principal falhar.
Pense no longo prazo
Para a saúde, a consistência ao longo de anos é o objetivo. Richey lembra que interferências acontecem e que é possível retomar sem ficar preso a perdas passadas. Metas pequenas ajudam a manter o ritmo.
Ao recomeçar, foque em metas alcançáveis. Não precisa ser 150 minutos; faça algo que não tenha feito ontem. Qualquer atividade física é um benefício para o bem-estar.
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