- Em 19 de maio de 1986 ocorreu a Noite Oficial dos Óvnis, quando ao menos 21 objetos voadores não identificados foram avistados em quatro estados, com registro de radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo.
- Testemunhas relataram uma luz vermelha grande, descrita como maior que um Boeing, que se deslocou pelo litoral paulista; pilotos civis e militares perseguiram os objetos com caças decolados de Anápolis (Goiás) e Santa Cruz do Sul (Rio de Janeiro).
- No dia 23, o ministro da Aeronáutica informou que os cinco caças perseguiram 21 objetos não identificados e que não havia explicação técnica naquela época.
- Documentos da Aeronáutica e áudios de comunicações entre controladores, oficiais e pilotos foram mantidos sob sigilo por décadas e, a partir de 2015, passaram a ficar disponíveis no Arquivo Nacional.
- Ufólogos afirmam que o episódio teve grande número de testemunhas e abrangência; cientistas destacam que objetos voadores não identificados não implicam vida alienígena e que o céu pode apresentar diversos fenômenos luminosos.
Em 19 de maio de 1986, a chamada Noite Oficial dos Óvnis chamou a atenção de observadores em quatro estados brasileiros. Relatos indicam que ao menos 21 objetos voadores não identificados foram avistados por civis e militares, acompanhados por radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta). A perseguição envolveu caças da Força Aérea Brasileira (FAB) e registros de comunicação entre controladores de voo e pilotos.
Em São José dos Campos, o controlador de 28 anos que atuava no aeroporto foi o primeiro a acionar o alarme ao observar uma luz incomum no céu. A comunicação com Brasília e com outras bases deu andamento à operação, com relatos de objetos que mudavam de cor e velocidade, acompanhando as manobras dos caças.
A apuração aponta que, ao todo, aeronaves civis e militares relataram avistamentos. Cinco caças da FAB decolaram de Anápolis, Santa Cruz do Sul e outras bases para interceptação. Interceptações ocorreram com velocidades supersônicas, mudanças abruptas de direção e objetos que pareciam acompanhar os aviões.
Relatos descrevem objetos com características sólidas, capazes de manter distância de observadores e evoluir em formação. Em Guaratinguetá, aproximadamente 2 mil militares assistiram aos fenômenos a olho nu ou com binóculos, em meio a relatos de intensa troca de mensagens entre controladores e pilotos.
Documentos da FAB, mantidos sob sigilo por quase 30 anos, foram liberados a partir de 2015 no Arquivo Nacional. Entre as evidências estão áudios gravados em fitas cassete, com cronologia das comunicações aeronáuticas, que mostram o intenso movimento de informações entre torre, defesa aérea e pilotos.
O episódio ocorreu em meio a cobranças públicas por transparência. Em 23 de maio de 1986, o ministro da Aeronáutica informou à imprensa que cinco caças perseguiram 21 objetos não identificados, sem que houvesse explicação técnica naquele momento. Pesquisadores descrevem a ocorrência como de alcance e duração inusuais para o tema ufologia no Brasil.
Especialistas ouvidos na época apontaram a dificuldade de esclarecer os fenômenos com dados limitados. Em relatos posteriores, o fenômeno foi descrito por ufólogos como um caso com grande número de testemunhas, cobertura geográfica ampla e duração estendida, alimentando debates sobre a natureza dos objetos.
Conjunto de dados divulgado reúne informações sobre as propriedades observadas nos objetos. Entre as características anotadas estão variação de velocidades entre subsônica e supersônica, acelerações bruscas, variação de altitude e apresentações de luzes de diferentes cores, além de reportes de soluções de voo em formação e curvas com raios variados.
Profissionais institucionais destacam que não se pode associar automaticamente os avistamentos a vida extraterrestre. A luz de observação, o contexto e a falta de explicação definitiva reforçam a necessidade de análise técnica contínua para entender fenômenos aéreos não identificados.
Para quem quiser consultar a documentação, o Sistema de Informação do Arquivo Nacional disponibiliza o acesso mediante cadastro. No campo Fundo, deve-se buscar BR DFANBSB ARX e o ano 1986. A consulta exige senha de acesso ou cadastro gov.br.
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