- Estudo em ratos adolescentes apresentou efeito neuroprotetor do suco de açaí clarificado, associando-se a redução de comportamentos ansiosos e depressivos.
- Os animais consuming o suco exibiram maior exploração da área central no teste do campo aberto e mais entradas em braços abertos no labirinto em cruz elevado.
- Houve redução do tempo de imobilidade no teste do nado forçado, indicando possível efeito antidepressivo.
- Didou-se que o açaí clarificado aumentou a atividade da glutationa peroxidase no córtex pré-frontal e a catalase no hipocampo, sugerindo melhoria da defesa antioxidante.
- As pesquisas ressaltam limitações, pois os resultados são de modelo animal e mais estudos são necessários para confirmar os mecanismos e potenciais aplicações em humanos.
Açaí mostra efeito neuroprotetor em cérebros de adolescentes, em estudo com ratos do Pará. Pesquisadores avaliavam se o suco clarificado da fruta poderia reduzir ansiedade e depressão durante o neurodesenvolvimento. O projeto ocorreu na UFPA, envolvendo um grupo liderado por Hervé Rogez.
A pesquisa partiu de uma curiosidade de comunidades ribeirinhas de Belém, que relatam sensação de relaxamento ao consumir açaí desde a infância. Ao transformar a polpa em suco clarificado, os cientistas buscavam associar os benefícios aos compostos fenólicos da fruta.
Na prática, ratos masculinos em fase que corresponde ao início da adolescência humana consumiram o suco por 12 horas diárias, durante 10 dias. O objetivo foi observar alterações comportamentais e marcadores de estresse oxidativo.
O que mudou no comportamento
Os animais que ingeriram o suco clarificado apresentaram maior exploração da área central em teste de campo aberto, indicativo de menor ansiedade. No labirinto em cruz elevado, houve maior entrada e tempo em braços abertos, reforçando o efeito ansiolítico.
O teste de Y avaliou memória, sem alterações relevantes no desempenho geral. Em nado forçado, houve redução no tempo de imobilidade, sugerindo efeito antidepressivo indireto.
Mecanismos observados
O estudo mostrou aumento da glutationa peroxidase no córtex pré-frontal, indicando resposta antioxidante ampliada. Amígdala apresentou redução do dano oxidativo, enquanto o hipocampo registrou maior atividade da catalase, fortalecendo defesas centrais.
Caso confirmado em etapas futuras, os resultados podem esclarecer caminhos pelos quais antocianinas atuam na neuroproteção durante o desenvolvimento. Ainda assim, pesquisadores ressaltam que a pesquisa permanece em estágio animal.
Este conteúdo integra a parceria entre The Conversation Brasil e Amazônia Vox. O texto completo foi publicado originalmente em The Conversation Brasil.
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