- Estudo da Universidade Federal de São Paulo analisou 130 pesquisas em 55 países entre 2013 e 2024, criando o Índice de Contaminação por Bitucas de Cigarro (ICBC) para medir a densidade de bitucas por metro quadrado.
- O relatório aponta que são descartadas cerca de 4,5 trilhões de bitucas de cigarro de forma incorreta a cada ano, causando riscos ao meio ambiente, humanos e animais.
- No Brasil, oito pontos da costa apresentam contaminação extremamente alta, com Santos e Guarujá entre os locais mais afetados em São Paulo; outros pontos ficam no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro.
- O estudo identifica 17 países com as maiores concentrações de bitucas; o Irã lidera, com uma média de 38 bitucas por metro quadrado.
- Em áreas protegidas, a densidade de resíduos costuma ser menor, mas hotspots aparecem onde há turismo intenso ou fiscalização fraca, reforçando a necessidade de redução de fumantes, mais fiscalização e educação ambiental.
Quais são os resíduos mais comuns no planeta? Um estudo da Unifesp aponta que as bitucas de cigarro lideram a lista, com impacto ambiental expressivo. A pesquisa envolve 130 trabalhos de 55 países, entre 2013 e 2024, e foi publicada na Environmental Chemistry Letters.
Pelo menos 4,5 trilhões de bitucas são descartadas de forma inadequada a cada ano, segundo os pesquisadores. O dano alcança praias, rios e ecossistemas, além de representar riscos à saúde humana e animal.
Na visão dos autores, o Brasil apresenta vários pontos de contaminação alta na costa. Ao todo, oito pontos foram identificados, com duas áreas em São Paulo: Santos e Guarujá. Regiões do Nordeste também aparecem entre as mais impactadas.
Índice de Contaminação por Bitucas de Cigarro
O estudo criou o ICBC, índice que mede o número de bitucas por metro quadrado para classificar a densidade de resíduos. Globalmente, 17 países apresentam altas concentrações, com o Irã no topo, com 38 bitucas por m².
Além do Irã, praias brasileiras, chilenas, uruguaias e equatorianas aparecem entre as mais afetadas. Em alguns locais, mais da metade do lixo areial é formado por guimbas de cigarro.
No Brasil, a média de guimbas por metro quadrado fica em oito pontos da costa, distribuídos entre Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Áreas protegidas tiveram densidade menor, mas hotspots foram identificados nelas.
Victor Vasques Ribeiro, doutorando da Unifesp e primeiro autor, ressalta que apenas a legislação não basta. Segundo ele, reduzidas taxas de fumantes, mais fiscalização e educação ambiental são cruciais para diminuir o problema.
O filtro da bituca não é biodegradável de forma simples. Ele envolve polímero que pode gerar microplásticos, prejudicando espécies marinhas e chegando aos humanos via cadeia alimentar.
A contaminação ocorre rapidamente quando a guimba entra em contato com água. Em semanas, substâncias tóxicas são liberadas no ambiente, ainda que o consumo de cigarro tenha diminuído nos últimos anos.
A equipe de pesquisador enfatiza que ações de prevenção poderão reduzir a explosiva presença de resíduos. Educação, fiscalização mais efetiva e maior infraestrutura de descarte são apontadas como medidas estratégicas.
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