- Descoberta no Parque Nacional do Pico da Neblina, aos 1.730 metros de altitude, revelou um novo gênero de caranguejo de água doce.
- Os animais foram encontrados durante uma expedição de 2022 do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e levaram ao estudo detalhado em São Paulo.
- O novo gênero recebeu o nome Okothelphusa; a espécie foi batizada de trefauti, em homenagem ao pesquisador Miguel Trefaut.
- A classificação definitiva apontou que Okothelphusa trefauti pertence à família Pseudothelphusidae, grupo já conhecido de caranguejos de regiões montanhosas da América do Sul.
- O estudo foi publicado na revista científica Zootaxa, destacando a importância de áreas isoladas e de difícil acesso para a descoberta de novas formas da fauna.
A descoberta de um novo gênero de caranguejo de água doce ocorreu no Parque Nacional do Pico da Neblina, na Amazônia. A expedição, realizada em 2022 por pesquisadores do Museu de Zoologia da USP, encontrou três caranguejos em um riacho a 1.730 metros de altitude, dentro de terras yanomami. O achado levou à descrição de um gênero inédito na ciência.
Os animais, duas fêmeas e um macho, foram encaminhados ao acervo do museu em São Paulo, onde análises morfológicas e genéticas foram realizadas. O macho apresentou gonópodo, estrutura reprodutiva que auxilia na taxonomia dos caranguejos, permitindo diferenciação entre espécies.
Inicialmente, a equipe considerou a possibilidade de uma nova espécie do gênero Microthelphusa. As investigações, porém, mostraram traços únicos que apontaram para um gênero novo. A conclusão, publicada em Zootaxa, confirmou a descoberta.
Novo gênero
O gênero criado recebeu o nome Okothelphusa. A etimologia combina o yanomami Oko, palavra para caranguejo, com o termo grego thelphusa, usado para caranguejos de água doce. A espécie foi batizada trefauti em homenagem ao pesquisador Miguel Trefaut, líder da expedição.
O Okothelphusa trefauti pertence à família Pseudothelphusidae, grupo comum em áreas montanhosas da América do Sul. Embora seja comum encontrar novas espécies em ambientes assim, a identificação de um novo gênero é rara.
A pesquisa foi divulgada com detalhes científicos no periódico Zootaxa, fortalecendo o conhecimento sobre a biodiversidade da Serra do Imeri e do Parque Nacional do Pico da Neblina, regiões de acesso restrito e grande sensibilidade ambiental.
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