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Obesidade estável em países ricos e cresce entre os pobres

Estabilização entre países ricos contrasta com aceleração em nações pobres, revelando desigualdades regionais e demográficas no avanço da obesidade

Homem de meia-idade, com sobrepeso, camisa xadrez e calça jeans, empurra um carrinho de compras vazio em um supermercado, passando por prateleiras de frutas, legumes e produtos enlatados
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  • Novo estudo na revista Nature analisou 197 países entre 1980 e 2024 e mostrou que o aumento da obesidade não é uniforme globalmente.
  • Países de renda alta tiveram aumento inicial, mas hoje a tendência é de estabilização; EUA, Reino Unido e Canadá apresentam prevalências mais altas que países europeus de renda similar.
  • Em países de renda média, como Brasil, a obesidade continua a crescer, enquanto em boa parte da Europa já há estabilização. Em regiões de renda baixa, o crescimento acelera, com variação regional relevante (ex.: até 5% no leste africano vs. 30%–40% em várias áreas da Europa Central e América Latina).
  • Demografia da obesidade varia: em nações ricas, o crescimento começou entre crianças e adolescentes; no resto do mundo, primeiro adultos, depois jovens.
  • Desigualdades por renda e escolaridade se concentram no acesso a nutrição, qualidade da alimentação e prática de atividades físicas, indicando que a obesidade é heterogênea e não pode ser tratada como uma “epidemia global” única.

Uma revisão global sobre obesidade aponta que o problema não é uniforme. O estudo avalia 197 países entre 1980 e 2024, revelando padrões diferentes entre regiões, renda e grupos demográficos. A obesidade já ultrapassa 1 bilhão de pessoas no mundo.

O trabalho, publicado na revista Nature, foi conduzido pela NCD Risk Factor Collaboration, uma rede internacional de pesquisadores. A base de dados reúne informações de peso e altura de cerca de 232 milhões de participantes em mais de 4 mil estudos.

O objetivo foi entender como as tendências variam dentro de cada país ao longo de 45 anos, indo além da ideia de uma epidemia global única. Os resultados mostram disparidades significativas que se estabeleceram ao longo do tempo.

Desigualdades regionais

Países de alta renda foram os primeiros a registrar aumentos, com desaceleração recente em muitos deles. Nos EUA, Reino Unido e Canadá, a obesidade alcançou faixas de 25% a 43% entre adultos, diferindo de países europeus de renda semelhante.

Regiões de renda média na América Latina apresentam crescimento contínuo, enquanto partes da Europa já exibem estabilização. Em áreas de média e baixa renda, o avanço é mais rápido e varia regionalmente.

Entre nações da África, o leste africano fica abaixo de 5% de obesidade, contrastando com níveis de 30% a 40% em várias regiões europeias e latino-americanas.

Desigualdades demográficas

Dentro de territórios ricos, o surgimento ocorre mais cedo entre crianças e adolescentes, com estabilização levando mais tempo entre adultos. Já em muitos países de renda baixa e média, há progressão maior entre adultos antes de jovens.

Os ganhos de obesidade também divergiram por gênero. Em parte da Europa, o crescimento foi mais acelerado entre homens; no Sul e Sudeste da Ásia e na África Subsaariana, a tendência foi mais forte entre mulheres.

Níveis de renda e escolaridade intensificam as disparidades, já que influenciam o acesso a informações nutricionais, alimentação de qualidade e prática de atividades físicas.

A raiz da obesidade

Pesquisadores destacam que o fenômeno é heterogêneo e não pode ser reduzido a uma única explicação. Fatores como disponibilidade de alimentos, publicidade e urbanização ajudam, mas não explicam sozinhos as diferenças regionais.

Em países de alta renda, o crescimento ocorreu com o desenvolvimento econômico e tecnológico, mas políticas públicas focusing apenas em informação não bastaram para mudar padrões de nutrição. Em países mais pobres, a chegada de ultraprocessados encontrou sistemas de saúde menos preparados.

Os autores sugerem que o estudo é um ponto de partida para entender a complexidade do fenômeno, que varia conforme contexto social, econômico e político de cada região.

Considerações finais

A pesquisa reforça a necessidade de estratégias locais para enfrentar a obesidade, com ações que vão além da educação individual. Ao longo das décadas, as trajetórias divergentes mostram que políticas públicas efetivas dependem de ajustes específicos a cada realidade.

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