- Estudo da USP mostra encolhimento de áreas úmidas periurbanas em 39 cidades do centro-leste paulista entre 1985 e 2020, com ocupação de 83% das áreas que antes eram vegetação nativa e cursos d’água.
- Quase metade do solo e da vegetação das áreas úmidas periurbanas está degradada (45%), e houve redução constante dos corpos d’água e zonas úmidas ao longo das décadas.
- A projeção indica perda adicional de até 960 hectares até 2035 se a ocupação continuar no ritmo atual.
- A área impermeável cresceu na Região Metropolitana de Ribeirão Preto de 0,5% em 1985 para 1,3% em 2024, o que prejudica a recarga de aquíferos e aumenta o risco de enchentes e poluição difusa.
- Em âmbito global, já foram perdidos cerca de 3,4 milhões de km² de zonas úmidas continentais desde 1700; no Brasil, há leis que promovem restauração e proteção de áreas verdes, embora o desafio permaneça.
Em áreas periurbanas das margens de cidades de São Paulo, as zonas de bosques, campos alagados e florestas de encosta vêm encolhendo nas últimas décadas. A expansão de bairros, condomínios e áreas agrícolas derruba áreas úmidas que ajudam a moderar a água da chuva e a recarregar aquíferos.
Um estudo da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), coordenado pelo engenheiro Edimilson Rodrigues dos Santos Júnior, mapeou 261 mil hectares de áreas periurbanas em 39 cidades do centro-leste paulista e comparou 1985 a 2020. Foram identificados 47 mil hectares de áreas úmidas.
Perdas significativas
A pesquisa mostra que 45% do solo e da vegetação das áreas úmidas periurbanas está degradado. Além disso, 83% das áreas de vegetação nativa foram substituídas por urbanização ou agricultura. Corpos d’água e zonas úmidas recuaram nas últimas décadas, agravando riscos de enchentes.
A área ocupada por vegetação nativa em algumas sub-regiões de Ribeirão Preto alcançou perdas acentuadas: 860 hectares entre 1985 e 2020, com possibilidade de chegar a 960 ha até 2035 se o ritmo continuar.
Impacts e contextos globais
Estudos indicam que, ao redor do mundo, 3,4 milhões de km² de zonas úmidas continentais foram perdidos desde 1700. Entre 1999 e 2019, áreas úmidas costeiras reduziram-se em cerca de 4 mil km².
Outra linha de pesquisa, defendida em 2025 na UFSCar, aponta avanço de áreas impermeáveis na Região Metropolitana de Ribeirão Preto de 0,5% (1985) para 1,3% (2024), o que compromete a recarga de aquíferos e aumenta o risco de poluição difusa.
Esfera de governança e respostas
Apesar do avanço urbano, leis de proteção às áreas verdes, como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica, contribuíram para frear desmatamentos e, em alguns casos, estimularam restaurações. Projetos de restauração de áreas degradadas já mostraram resultados positivos em municípios paulistas.
Em São Carlos, estudo de Montaño aponta que a degradação de áreas úmidas já era observada antes de 1985, quando imagens de satélite começaram a ser usadas com maior resolução. Pesquisadores destacam a necessidade de planejamento urbano que valorize o meio ambiente a longo prazo.
Iniciativas e exemplos positivos
Casos como a APA Bororé-Colônia, em São Paulo, demonstram como áreas de proteção ambiental podem frear o avanço urbano sobre remanescentes da Mata Atlântica. Restaurar margens de rios e criar corredores verdes funciona como amortecedor de enchentes.
Em Guarujá e em cidades do interior, ações de restauração ganharam impulso com financiamento estadual e apoio institucional, transformando espaços degradados em centros culturais, parques e áreas de convivência que ajudam a reduzir enchentes.
Perspectivas e desafios
Especialistas ressaltam a importância de planejamento integrado entre normas, gestão de recursos hídricos e uso do solo. A expectativa é que novas políticas públicas priorizem a conservação de várzeas e vales, para ampliar a retenção de água da chuva e reduzir alagamentos urbanos.
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