- Ensitrelvir, vendido como Xocova, mostrou pela primeira vez a capacidade de prevenir a Covid-19 após exposição ao vírus em pessoas que conviviam com contaminados.
- O antiviral foi estudado em mais de 2 mil participantes de diferentes países entre junho de 2023 e setembro de 2024, com tratamento iniciado até 72 horas após o surgimento de sintomas na residência.
- Entre os que tomaram placebo, cerca de 9% desenvolveram Covid-19 sintomática; no grupo que recebeu ensitrelvir, esse índice foi de aproximadamente 3%.
- Além de reduzir casos sintomáticos, o medicamento também diminuiu a transmissão viral: infecções confirmadas (com ou sem sintomas) ocorreram em 14% do grupo tratamento versus 21,5% do grupo controle.
- O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, destacou que ensitrelvir atua visando uma enzymes essencial para a replicação do coronavírus, similar a um alvo do Paxlovid, mas com resultados de prevenção domiciliar mais robustos.
O antiviral ensitrelvir mostrou, pela primeira vez, capacidade de prevenir a Covid-19 após a exposição ao SARS-CoV-2. O medicamento, comercializado como Xocova e desenvolvido pela Shionogi, foi estudado no Japão, onde já havia recebido aprovação para uso pós-exposição.
O estudo internacional acompanhou mais de 2 mil pessoas entre junho de 2023 e setembro de 2024. Participantes receberam o fármaco até 72 horas após o surgimento de sintomas em alguém da mesma casa. A randomização comparou ensitrelvir com placebo.
Entre os que tomaram placebo, cerca de 9% desenvolveram Covid-19 sintomática. No grupo que recebeu ensitrelvir, o índice caiu para cerca de 3%. Além disso, a transmissão viral diminuía, com infecções confirmadas em 14% no grupo tratado contra 21,5% no grupo de controle.
Resultados do estudo
O ensitrelvir atua bloqueando uma enzima essencial para a replicação do coronavírus, atingindo o mesmo alvo de um componente do Paxlovid, da Pfizer. Contudo, diferentemente do Paxlovid, o novo antiviral mostrou eficácia estatisticamente significativa na prevenção de infecções domiciliares.
Especialistas destacam que o medicamento pode ganhar relevância para grupos de maior risco, como idosos, imunocomprometidos e moradores de instituições de longa permanência. Profissionais da saúde consideram ainda o uso em exposição ocupacional.
Há atuação de debate sobre quem deveria receber prioritariamente o medicamento, considerando alta imunidade da população. Pesquisadores ressaltam utilidade potencial ampla, inclusive para trabalhadores que desejam evitar afastamentos.
Mesmo com a queda de atenção pública, o coronavírus continua circulando. Autores do estudo ressaltam que a Covid-19 mantém um impacto relevante em mortes e hospitalizações, especialmente em determinados grupos, e que há agora uma opção terapêutica para controle da doença.
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