- Sapo, perereca e rã são anfíbios da ordem Anura, com diferenças de pele, habitat e comportamento.
- No mundo existem mais de oito mil espécies de anfíbios; no Brasil há 1.188, sendo 1.144 anuros, a maior diversidade desse grupo.
- Sapos costumam ter pele seca, ficar no chão; rãs são semi-aquáticas com longas patas; pererecas vivem em árvores e usam discos adesivos nos dedos.
- As principais famílias são Bufonidae (sapos), Ranidae (rãs) e Leptodactylidae (pererecas no Brasil).
- Descoberta recente: Neblinaphryne imeri, sapo novo coletado em montanha na Amazônia, na Serra do Imeri, entre Amazonas e Venezuela, descrito em Zootaxa.
Sapo, perereca e rã costumam ser confundidos, mas não são iguais. Embora pertençam à ordem Anura, apresentam diferenças na pele, no comportamento e no habitat. No Brasil, a diversidade é a maior do mundo entre os anuros.
Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN) apontam 1.188 anfíbios no Brasil, sendo 1.144 anuros. O órgão pertence ao ICMBio e destaca a presença de sapos, rãs e pererecas em várias regiões, excetuando a Antártica.
Para compreender as distinções, o Sapo costuma ter pele mais seca e vida terrestrial. Rãs e pererecas pedem água próxima, com as pererecas possuindo discos adesivos nos dedos para escalar. As semelhanças incluem respiração pela pele e pulmões.
Sapos pertencem à família Bufonidae, com cerca de 600 espécies em 52 gêneros. A maior família de rãs é a Ranidae, presente principalmente no hemisfério norte. Pererecas, na maioria, integram a família Hylidae, com distribuição variada.
As diferenças se estendem ao comportamento. Sapos são mais corpulentos, com patas traseiras curtas, costumam caminhar. Rãs são saltadoras ágeis, com patas longas, passando boa parte da vida na água. Pererecas são leves, com pele úmida e discos adesivos.
Em alguns lugares, espécies de rãs são consumidas, como a rã-touro (Aeqrana catesbeiana), criada em cativeiro para consumo, não na natureza. Já as rãs brasileiras, chamadas jias ou caçotes, pertencem à família Leptodactylidae.
A identificação de cada grupo reforça a importância da preservação. Anfíbios são indícios de ecossistemas saudáveis e sensíveis a poluição e mudanças ambientais. A presença deles sinaliza qualidade ambiental.
Na Amazônia, um estudo de campo levou à descrição de uma espécie nova de anfíbio. No north da região, na Serra do Imeri, pesquisadores classificaram Neblinaphryne imeri, em 2024, após 12 dias de acampamento.
A descoberta envolveu equipes da USP, CRBE da França e da Universidade Autónoma de Madrid. A descrição foi publicada na revista Zootaxa e reconhece a espécie pela primeira vez no topo da montanha amazônica, quase 1.900 metros de altitude.
Neblinaphryne imeri apresenta tonalidade marrom, com pintas brancas e manchas amarelas na ventral. Fêmeas são ligeiramente maiores e cantam ao amanhecer e ao entardecer. A relação com Neblinaphryne mayeri já havia sido indicada em 2017.
Os pesquisadores destacam que a Serra do Imeri abriga uma das áreas mais preservadas da Amazônia, mantendo um ambiente adequado para espécies únicas. A descoberta reforça a riqueza de anfíbios na região e a necessidade de conservação.
Entre na conversa da comunidade