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Cidade brasileira atrai turismo científico por fenômeno único

Domo de Vargeão, cratera de basalto com doze quilômetros de diâmetro, atrai pesquisadores internacionais, fortalecendo turismo científico e museu da cidade

Vargeão (SC) possui uma cratera rara provocada por um meteorito. (Foto: Vagner Silva/Prefeitura de Vargeão)
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  • Vargeão, cidade com pouco mais de 3,7 mil habitantes no oeste de Santa Catarina, abriga o Domo de Vargeão, cratera de impacto de meteorito formada entre 80 e 100 milhões de anos atrás, com 12 quilômetros de diâmetro.
  • Estudos liderados pelo geólogo Álvaro Penteado Crosta indicam que o meteorito tinha entre 550 e 800 metros de diâmetro e liberou energia equivalente a cerca de quinhentas mil bombas nucleares semelhantes à de Hiroshima.
  • A cratera é uma das quatro no mundo formadas sobre basalto, rocha predominante na superfície da Lua e de Marte, o que a torna especialmente relevante para estudos comparativos.
  • O impacto removeu quase um quilômetro de espessura de basalto e expôs arenito do Aquífero Guarani na superfície, um aspecto único de preservação para pesquisas geológicas.
  • Atração de pesquisadores internacionais já inclui visitas da Nasa; em 2026, equipe italiana coletou amostras para comparar com o regolito lunar, e a prefeitura planeja inaugurar um museu moderno com tecnologia 3D, além de ações para desenvolvimento turístico local.

Uma cidade de pouco mais de 3,7 mil habitantes, no oeste de Santa Catarina, ganhou notoriedade internacional pela cratera criada pelo impacto de um meteorito há cerca de 80 a 100 milhões de anos. O Domo de Vargeão, com 12 quilômetros de diâmetro, é a única estrutura do tipo no estado e atrai pesquisadores de diversas partes do mundo.

A cratera foi reconhecida por pesquisadores nacionais na década de 1980, após uma investigação que rejeitou a hipótese vulcânica. O geólogo Álvaro Penteado Crosta, da Unicamp, reforçou que se trata de uma cratera meteorítica, com impactos de alta energia que deixaram marcas permanentes nas rochas.

O que torna o Domo singular envolve também o tipo de rocha onde se formou: basalto. Existem poucas crateras formadas nesse contexto, o que aproxima o estudo a ocorrências na Lua e em Marte. Em Vargeão, o basalto foi temporariamente removido, revelando arenito do Aquífero Guarani na superfície.

Domo de Vargeão expõe rochas raras e funciona como laboratório natural para comparações com dados lunares e marcianos, segundo Crosta. A presença de arenito na superfície, raro em crateras de basalto, amplia o interesse científico da área para estudos de impacto.

Cientistas de várias nacionalidades visitaram o município ao longo dos anos, incluindo equipes da Nasa que realizaram análises em diferentes ocasiões. Em 2026, uma equipe italiana coletou amostras do solo para comparação com o regolito da Lua, demonstrando similaridade entre os materiais.

A prefeitura planeja ampliar o potencial científico com a modernização do museu local, adotando recursos de visualização 3D e atividades interativas voltadas a jovens e estudantes. A inauguração do novo espaço está prevista para julho ou agosto deste ano, segundo o consultor científico envolvido.

Além das ações culturais, a cidade trabalha para oficializar o título de capital catarinense do meteorito em tramitação na Assembleia Legislativa. O projeto de lei busca reconhecimento institucional, ao mesmo tempo em que 16 empreendedores recebem orientação para desenvolver hospedagem, alimentação e roteiros turísticos na região.

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