- Metade das amostras de bonito-pintado comercializadas em Cabo Frio apresentaram mercúrio acima do limite seguro.
- Um exemplar atingiu 1,980 miligramas por quilo, quase o dobro do limite de 1 miligrama por quilo para peixes carnívoros.
- O estudo, realizado pelo IFF Cabo Frio com a UERJ, UFF e IEAPM, analisou o tecido muscular de 30 peixes coletados no Mercado Municipal de Peixe de Cabo Frio.
- Não há indícios de contaminação histórica local ou fontes industriais; OMS e FDA associam altas concentrações de mercúrio em atuns à poluição global dos oceanos e à biomagnificação.
- Os pesquisadores destacam a necessidade de monitoramento constante, revisão de limites e diretrizes de consumo mais rígidas, principalmente para gestantes e crianças.
Um estudo divulgado na revista Neotropical Ichthyology aponta que metade das amostras do peixe bonito-pintado (Euthynnus alletteratus) comercializadas em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, tiveram mercúrio acima do limite seguro. O valor chegou a 1,980 mg/kg, quase o dobro do permitido para peixes carnívoros.
A pesquisa, realizada pelo IFF Cabo Frio em parceria com UERJ, UFF e IEAPM, analisou o tecido muscular de 30 peixes capturados na região. O objetivo foi medir o Hg total, comparar variações entre machos e fêmeas e verificar conformidade com limites sanitários.
Os dados indicam concentração elevada de mercúrio em bonito-pintado, um atum de médio porte, o que preocupa quando comparado a espécies maiores já estudadas. Os pesquisadores destacam a biomagnificação como mecanismo central.
Origem e contexto ambiental
Não há indícios de contaminação histórica direta ou fontes industriais locais em Cabo Frio e Arraial do Cabo. A equipe cita OMS e FDA ao apontar que poluição global é fator relevante para mercúrio em tunídeos.
A explicação envolve a cadeia alimentar: predadores superiores tendem a acumular Hg, pois absorvem o metal pela alimentação e possuem baixa excreção. As taxas de Hg aumentam ao longo da cadeia trófica.
Implicações para políticas públicas e consumo
Estudos indicam necessidade de vigilância constante em áreas de ressurgência, onde águas frias sobem e há fluxo de nutrientes. Reguladores podem revisar limites de tolerância e diretrizes de consumo para grupos vulneráveis.
Os autores defendem programas de monitoramento contínuo de mercúrio para reduzir riscos à saúde pública e assegurar segurança alimentar na região. Divulgação de resultados pode orientar pescadores e consumidores.
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