Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

SP registra aumento de temperatura acima da média global nos últimos 125 anos

Ilha de calor urbana faz São Paulo superar médias globais; especialistas apontam revegetação como saída para reduzir temperaturas locais, até 7 °C

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Em São Paulo, a temperatura máxima diária aumentou 2,4 °C desde 1950, e a mínima diária subiu 2,8 °C desde o início do século XX, superando a média global.
  • Globalmente, a temperatura média subiu aproximadamente 1,2 °C desde 1900, e a temperatura da superfície terrestre, cerca de 2 °C.
  • A ilha de calor urbana explica parte das disparidades entre a cidade e a média mundial; áreas mais urbanizadas ficam mais quentes por falta de vegetação.
  • Em 70 cidades do estado, o estudo com dados de satélite mostra verão com até 60 °C nas áreas mais quentes e até 25 °C nas áreas com mais vegetação e água; há entre 7 °C e 12 °C de diferença entre zonas quentes e frias.
  • Soluções baseadas na natureza, como revegetação, podem reduzir a temperatura local em até 7 °C; projetos como Sampa Adapta estão avaliando esse efeito no nível da rua.

A temperatura em São Paulo tem aumentado mais que a média global nos últimos 125 anos. Dados do IPCC indicam que, desde 1900, a média global subiu 1,2 °C e a superfície terrestre, 2 °C. Em São Paulo, a máxima diária cresceu 2,4 °C, a partir de 1950, e a mínima diária subiu 2,8 °C desde o início do século 20. A informação foi apresentada por Humberto Ribeiro da Rocha, da USP, em palestra de projeto apoiado pela FAPESP e pela NWO.

O estudo atribui parte desse aumento à ilha de calor urbana, fenômeno que ocorre quando áreas densamente urbanizadas substituem vegetação por materiais como asfalto e concreto. Pesquisas do Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas analisaram 70 cidades paulistas com dados de temperatura de superfície entre 2013 e 2025, obtidos por satélites Landsat da NASA.

Os resultados mostram variação acentuada de temperatura dentro da Grande São Paulo. No verão, áreas urbanizadas quentes atingem até 60 °C, enquanto zonas com vegetação e água chegam a 25 °C. Em média, as áreas mais quentes ficam entre 7 °C e 12 °C acima das áreas frias.

A distribuição de ilhas de calor se concentra, segundo Rocha, principalmente na região nordeste do estado, onde há cana-de-açúcar em larga escala, e em cidades da região metropolitana com maior densidade populacional. Mesmo cidades menores apresentam esse fenômeno de forma consolidada.

Efeitos das ondas de calor

Um novo projeto, com apoio do CCD e do programa Sampa Adapta da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, mede a temperatura do ar na Região Metropolitana para entender os impactos locais das ondas de calor. Dados de 25 estações no nível da rua e de instalações do CGE mostram tardes entre 30 °C e 34 °C, e noites por volta de 28 °C.

Durante as noites, muitas residências não possuem isolamento térmico adequado, o que aumenta a sensação de calor. Rocha explica que isso eleva o desconforto e pode impactar a saúde pública, especialmente em períodos de calor intenso.

Soluções baseadas na natureza

As SbN (soluções baseadas na natureza) aparecem como alternativa. Análises com dados de estações meteorológicas indicam que a cobertura vegetal pode reduzir a temperatura do ar no nível da rua, criando o que os pesquisadores chamam de “efeito oásis”. Em áreas Urbanas da Grande São Paulo, o resfriamento local chegou a cerca de 7 °C em comparação com ruas sem vegetação.

“O reflorestamento e a manutenção de áreas verdes na Região Metropolitana são viáveis e eficazes para mitigar extremos de calor”, afirma Rocha. Os resultados reforçam a promoção de políticas públicas que incentivem a revegetação e a criação de ambientes urbanos mais ventilados e sombreados.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais