- Pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da USP acharam uma nova espécie de microrganismo em fumarola vulcânica na Ilha Deception, Antártica.
- A espécie pertence ao grupo das arqueias e recebeu o nome Pyroantarcticum pellizari, em homenagem à microbiologista Vivian Pellizari.
- O ambiente alcança temperaturas acima de 100°C, ainda que seja cercado por neve e gelo por causa da atividade vulcânica subterrânea.
- O genoma foi reconstruído por montagem de genoma metagenômico, pois o organismo não pôde ser cultivado em laboratório.
- O estudo foi liderado por Amanda Bendia, com participação de Ana Carolina Butarelli e Francielli Vilela Peres, e publicado na ISME Communications em 27 de março.
Uma equipe de pesquisadoras brasileiras identificou uma nova espécie de microrganismo em uma fumarola vulcânica da Ilha Deception, na Antártida. O achado foi feito durante análises genéticas de amostras coletadas pela expedição do Programa Antártico Brasileiro. O ambiente apresenta temperaturas acima de 100°C, cercado por gelo.
A descoberta envolve arqueias, microrganismos unicelulares que toleram condições extremas. A pesquisa foi coordenada por Amanda Bendia, com participação de Ana Carolina Butarelli e Francielli Vilela Peres, todas ligadas ao Instituto Oceanográfico da USP.
Metodologia e desafios
A equipe não conseguiu cultivar o organismo em laboratório, o que dificultou a reconstrução do genoma. Para contornar esse obstáculo, foi empregada a montagem de genoma metagenômico, que utiliza DNA de amostras ambientais para identificar espécies por meio de análise computacional de milhões de fragmentos.
Sobre a nova espécie
Batizada de Pyroantarcticum pellizari, a espécie pertence a um grupo de arqueias tipicamente encontrado em fontes hidrotermais do fundo do oceano. A localização em fumarolas da Antártida amplia o conhecimento sobre adaptação de vida em ambientes extremos e contextos planetários.
Relevância e publicação
Os autores destacam o valor da descoberta para a compreensão da biodiversidade terrestre e das possibilidades de vida em condições semelhantes em outros planetas. O estudo, intitulado Hot life in Antarctica, foi publicado em 27 de março na revista ISME Communications, da Oxford Academic.
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