- Estudo publicado no JAMA Network Open em 12 de maio de 2025 analisa aumento das prescrições de ivermectina e benzimidazóis nos Estados Unidos após entrevista de Mel Gibson no podcast Joe Rogan Experience, em janeiro de 2025.
- Gibson afirmou conhecer três pessoas com câncer em estágio avançado que teriam apresentado melhora com a combinação de ivermectina e fenbendazol, sem evidências científicas que comprovem eficácia; o fenbendazol é vermífugo de uso veterinário.
- Dados de saúde de cerca de 68 milhões de pacientes mostraram que as prescrições quase dobraram em 2025; o uso combinado chegou a 6 a cada 100 mil pacientes, com aumento mais expressivo entre pacientes com câncer e crescimento de até 2,5 vezes em alguns grupos.
- O estudo é observacional e não prova causalidade; não há comprovação científica de que ivermectina ou fenbendazol funcionem contra o câncer em humanos.
- Pesquisadores destacam que conteúdos virais influenciam decisões de saúde, especialmente entre públicos da entrevista, podendo levar a atrasos de tratamentos eficazes, substituição de terapias comprovadas e maior exposição a riscos.
Um estudo publicado no JAMA Network Open, em 12 de maio de 2025, analisa o aumento de prescrições de ivermectina e benzimidazóis nos Estados Unidos após uma entrevista polêmica. O episódio ocorreu no início de 2025 e ganhou ampla repercussão nas redes.
A entrevista foi ao podcast Joe Rogan Experience, com Mel Gibson. Ele afirmou conhecer três pacientes com câncer em estágio avançado que teriam apresentado melhora com uma combinação de ivermectina e fenbendazol. Não houve apresentação de evidências ou estudos clínicos.
A fala viralizou e atingiu milhões de visualizações, elevando o tema ao debate público sobre tratamentos não estabelecidos. A análise usa registros de saúde eletrônicos para observar mudanças na prática médica entre 2024 e 2025.
Dados do estudo
A pesquisa utilizou dados de cerca de 68 milhões de pacientes. Em comparação com períodos anteriores, houve quase uma duplicação das prescrições em 2025 na área estudada. A combinação de terapias chegou a 6 em cada 100 mil pacientes.
O aumento foi mais expressivo entre pacientes com câncer, com crescimento de até 2,5 vezes em alguns subgrupos. O estudo é observacional e aponta apenas associação temporal, sem comprovar causalidade.
Contexto científico
Apesar do aumento, não há evidência científica de eficácia da ivermectina nem do fenbendazol contra o câncer em humanos. A literatura aponta ausência de ensaios clínicos robustos e uso do fenbendazol apenas em ambientes veterinários.
Pesquisadores destacam que resultados de laboratório não se traduzem diretamente para humanos. A falta de evidência reforça a necessidade de tratamentos comprovados e orientações clínicas baseadas em dados confiáveis.
Impactos da divulgação viral
Os autores identificam maior impacto em regiões e perfis de público alinhados à audiência do podcast. A pesquisa sugere que conteúdos virais podem influenciar decisões de saúde, especialmente quando trazidos por figuras públicas.
Efeitos possíveis incluem atraso no início de terapias eficazes e maior exposição a riscos desnecessários. Mesmo sem causalidade direta, há forte relação temporal entre a entrevista de janeiro de 2025 e o aumento observado após maio.
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