- A dieta GAPS, incluindo a versão para bebês, restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos, mas não há evidências científicas robustas de benefícios.
- Especialistas alertam para riscos nutricionais em crianças, como deficiências de micronutrientes e restrição calórica, com potencial impacto no crescimento.
- Sociedades europeias e norte-americanas de gastroenterologia e nutrição pediátrica não recomendam o uso da dieta GAPS, especialmente sem indicação médica.
- A ideia de que a dieta aumenta imunidade ou reduz doenças não é respaldada pela ciência; conteúdos desinformativos associam a GAPS a prematuros ou sensibilidade, sem fundamentos.
- Diretrizes pediátricas defendem introdução gradual de diversos alimentos a partir de seis meses, incluindo feijão, glúten entre seis e doze meses e a redução de açúcares nas primeiras fases da vida.
A dieta GAPS voltada para bebês tem ganhado seguidores no Brasil e no mundo, mas não há evidências científicas robustas que comprovem benefícios. Profissionais alertam para riscos nutricionais, especialmente na fase de introdução alimentar.
A versão infantil, conhecida como baby GAPS, restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos. O protocolo, criado em 2004 pela médica Natasha Campbell-McBride, foca em alimentos pasteis, caldos e sopas à base de ossos e carnes, com uso frequente de probióticos.
Especialistas ressaltam que não existem ensaios clínicos que valide a prática. Sociedades europeias e norte-americanas de Gastroenterologia e Nutrição Pediátrica não indicam a dieta, destacando riscos de deficiências e restrição calórica em crianças.
A popularização ocorre em conteúdos de redes sociais e fóruns, com relatos de pacientes que adotam a abordagem desde os 4 meses. Alegações sobre imunidade, toxinas e autismo aparecem, mas não possuem respaldo científico.
Entre os alimentos proibidos pela baby GAPS estão leguminosas como feijão e itens com glúten, porém diretrizes atuais recomendam justamente a introdução gradual desses itens entre 6 e 12 meses. A postura contrária pode atrasar o desenvolvimento alimentar.
O consumo de açúcares é apontado como o único componente a ser evitado com respaldo científico nas fases iniciais. A orientação médica é evitar açúcares na primeira infância para reduzir riscos de obesidade e distúrbios metabólicos.
Em contraste, dietas restritivas podem comprometer o desenvolvimento motor oral, conforme especialistas. O cérebro infantil demanda glicose, o que sustenta a necessidade de uma alimentação balanceada com carboidratos.
O que dizem as orientações de introdução alimentar
Diretrizes nacionais e internacionais indicam iniciar a alimentação complementar aos 6 meses, com sinais de prontidão do bebê. Introdução gradual, variada e com uma única novidade por vez é recomendada para ampliar o paladar e reduzir alergias.
A inclusão de vegetais, frutas, cereais, leguminosas e proteínas é incentivada, com evolução da consistência conforme o desenvolvimento motor. A janela imunológica orienta a introdução de alimentos potencialmente alergênicos, como ovo e amendoim, para aumentar a tolerância oral.
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