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Empresa de ex-alunos da USP leva tecnologia brasileira à missão lunar da NASA

Empresa criada por ex-alunos da USP leva tecnologia brasileira à Artemis II, com dispositivo de actigrafia que mede luz e sono

Luis Filipe Fragoso Rossi e Rodrigo Trevisan Okamoto são fundadores da Condor Instruments — Foto: Divulgação
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  • Duos ex-alunos da Escola Politécnica da USP criaram a Condor Instruments em 2013 para desenvolver dispositivos de actigrafia, usados no monitoramento de sono e ritmos circadianos.
  • O equipamento ActLumus registra atividade motora, temperatura cutânea e exposição à luz, com foco na medição de diferentes espectros de luz.
  • A solução recebeu aprovação de voo da Nasa e foi utilizada na missão Artemis II, em abril, marcando o retorno de voos tripulados em órbita da Lua.
  • A Condor atende 735 clientes em 43 países, faturou 6,5 milhões de reais em 2025, com 86,47% do total provenientes de exportações, e apresentou crescimento médio anual de 50,63% entre 2021 e 2025.
  • Após o marco com a Nasa, a empresa busca ampliar o portfólio e manter diálogo para Artemis III e IV, além de dialogar com outras agências espaciais.

A Condor Instruments, startup brasileira criada por ex-alunos da USP, levou tecnologia de atuação da actigrafia para a missão Artemis II da Nasa. Fundada em 2013, a empresa desenvolve dispositivos para monitorar sono e ritmos circadianos, com o ActLumus ganhando espaço em pesquisa clínica e em aplicações laboratoriais.

A história começou no laboratório da Poli em 2012, quando Rodrigo Trevisan Okamoto e Luis Filipe Fragoso Rossi, então mestrandos, decidiram empreender. O contato com dois professores levou ao desenvolvimento de uma solução nacional para actigrafia, antes restrita a fornecedores estrangeiros.

Do laboratório ao mercado global

O investimento inicial veio dos próprios fundadores, cerca de R$ 40 mil, seguido por R$ 195 mil do PIPE Fase 2, da FAPESP. O recurso permitiu transformar o protótipo em produto fabricável e, em 2013, a primeira entrega ocorreu a um professor parceiro. Desde então, a empresa ampliou atuação internacional.

Atualmente a Condor Instruments atende 735 clientes em 43 países, incluindo Harvard, Stanford, NIH, NHS e Northwestern. Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 6,5 milhões, com exportações respondendo por 86,47% do total. O crescimento médio anual entre 2021 e 2025 foi de 50,63%.

ActLumus: o relógio que chamou a atenção da Nasa

O ActLumus é o principal dispositivo, similar a um relógio de pulso e capaz de registrar atividade motora, temperatura da pele e exposição à luz. A inovação permite medir diferentes espectros de luz, elemento fundamental para entender o impacto da iluminação no ritmo biológico humano.

Rossi descreve a evolução do sensor de luz como o diferencial atual, destacando a importância de acompanhar sinais da luz na regulação da melatonina. A empresa manteve parceria com pesquisadores na Alemanha e na Inglaterra para aprimorar as medições.

Conexão com a Artemis II

O contato com a Nasa começou em 2023, quando a agência buscava novos fornecedores para esse tipo de tecnologia. Os dispositivos passaram por testes de engenharia e validações científicas por quase dois anos e meio. No fim do ano anterior à missão, houve a confirmação de aprovação para voo.

A confirmação final ocorreu durante o lançamento da Artemis II, quando a Nasa informou o uso do dispositivo em uso operacional. Os fundadores enfatizam o orgulho pelo feito e continuam em contato com a agência para futuras etapas do programa.

Próximos passos

Okamoto afirma que há interesse da Condor em participar de Artemis III e IV. A empresa trabalha também no desenvolvimento de protótipos que expandem a coleta de dados, incluindo batimentos cardíacos, além de ampliar o conjunto de informações capturadas pelo equipamento.

A equipe destaca ainda a intenção de colaborar com outras agências espaciais, mantendo o foco na expansão global e na evolução de sensores para monitorar aspectos biológicos relacionados à luz e ao sono.

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