- Um estudo mapeou, pela primeira vez, a rota de tráfico de pangolins desde o local de captura até os mercados de venda, usando marcadores genéticos.
- O trabalho identificou duas grandes rotas: deslocamentos internos até mercados locais de carne silvestre, com animais capturados entre 8 e 180 quilômetros de seus habitats, e o tráfico internacional até vinte mil quilômetros para atender principalmente a medicina tradicional chinesa.
- Em muitos casos, as rotas locais alimentam o comércio internacional, segundo os pesquisadores, indicando sobreposição entre caça local e tráfico global.
- O mapeamento permite identificar áreas específicas de caça e rotas até o consumidor final, ajudando autoridades a monitorar e combater o tráfico com maior precisão.
- A expectativa é expandir a metodologia para outras espécies ameaçadas e fortalecer a cooperação internacional, envolvendo governos e agências como a Interpol.
Um estudo internacional mapeou pela primeira vez as rotas de tráfico de pangolins, desde a captura na natureza até os mercados onde são vendidos. A pesquisa utilizou marcadores genéticos para ligar apreensões da polícia, espécimes em museus e escamas comercializadas ilegalmente a regiões de origem.
Os pesquisadores associaram esses dados a áreas específicas, identificando os caminhos mais utilizados no comércio ilegal. O objetivo é melhorar o monitoramento e a atuação das autoridades, tornando o combate ao tráfico mais preciso.
Entre os destaques, o estudo aponta dois grandes deslocamentos: o fluxo local, alimentado por animais capturados a 8 a 180 quilômetros de seus habitats, e o transporte internacional, que pode percorrer até 20 mil quilômetros para atender principalmente mercados ligados à medicina tradicional chinesa.
Principais rotas identificadas
O pangolim de Sunda teve o principal foco de tráfico no sudoeste da ilha de Bornéu, com regiões prioritárias para fiscalização. Já o pangolim chinês apresentou hotspots concentrados em áreas de Mianmar, áreas que devem receber atenção de conservação.
Segundo os autores, há sobreposição entre rotas locais e internacionais, sugerindo que a caça local alimenta o comércio transfronteiriço. O pesquisador Sean Heighton, na época afiliado à Universidade de Toulouse, afirma que o mapeamento permite entender melhor onde ocorrem as caças e quais caminhos seguem até o consumidor final.
O estudo reúne pesquisadores de mais de 15 países e pretende ampliar a metodologia para outras espécies ameaçadas. A expectativa é aumentar o investimento público, bem como a cooperação entre agências e governos, Em metas, há a criação de um consórcio internacional que apoie governos na implementação de ferramentas de identificação de rotas de tráfico no país de origem.
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