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Fóssil na Bahia revela nova espécie de ave do terror que viveu até a Era do Gelo

Fóssil baiano de Eschatornis aterradora amplia a cronologia das aves do terror até o final do Pleistoceno, sugerindo ambiente seco na Bahia há 25 mil anos

Fragmento ósseo encontrado em caverna da Bahia permitiu identificar uma nova espécie de ave do terror que viveu no Brasil durante o Pleistoceno.
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  • Foi identificado um novo gênero e espécie de ave do terror, Eschatornis aterradora, a partir de um fragmento de tibiotarso encontrado na Toca dos Ossos, em Ourolândia, Bahia.
  • O fóssil indica que a espécie viveu até cerca de 25 mil anos atrás, no fim do Pleistoceno, período conhecido como Era do Gelo.
  • O estudo, publicado no Papers in Palaeontology, envolveu pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, da Universidade Federal da Bahia e do Centro de Pesquisas em Ciências da Terra, na Argentina.
  • A espécie brasileira era bem menor que as aves do terror já conhecidas na região, com peso estimado de até seis quilos e altura entre sessenta e noventa centímetros.
  • A descoberta amplia o conhecimento sobre a extinção dessas aves predadoras e sugere que elas sobreviveram ao fim do Pleistoceno, em ambiente baiano antigo caracterizado por savanas e áreas de arbustos.

Um osso encontrado no interior da Bahia revelou uma espécie inédita de “ave do terror”, predadores que dominaram a Amé­rica do Sul por milhões de anos. O achado ocorreu na Toca dos Ossos, caverna em Ourolândia, Chapada Diamantina, e data de até 25 mil anos atrás. O fragmento do tibiotarso permitiu classificar o novo gênero e espécie, mesmo com preservação parcial.

A nova espécie recebeu o nome científico Eschatornis aterradora. A designação Eschatornis vem do grego e significa “última ave”, em referência ao fim do grupo no Pleistoceno, enquanto aterradora alude ao apelido popular das aves predadoras. A família Phorusrhacidae reúne esses animais de grande porte.

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), da UFBA e do Centro de Pesquisas em Ciências da Terra, da Argentina, assinam o estudo publicado na revista Papers in Palaeontology. O material fóssil é um tibiotarso incompleto encontrado na caverna baiana.

Descoberta e características

O estudo aponta que as aves do terror atingiam grande porte, com alguns exemplares da região sul da América do Sul chegando a quase três metros e 300 kg. A Eschatornis aterradora, porém, tinha porte menor: peso estimado de até 6 kg e altura entre 70 e 90 cm, aproximando-se mais das seriemas como parentes vivos.

A datação por radiocarbono permite situar a espécie até o final do Pleistoceno, período da Era do Gelo. Essa cronologia amplia o entendimento sobre a extensão temporal dessas aves predadoras na região.

Implicações para o cenário pré-histórico da Bahia

A análise ambiental reconstruída indica que a região era mais seca, com savanas, arbustos e áreas abertas. Esse paleoambiente difere do visto hoje na Bahia e ajuda a explicar como a espécie poderia sobreviver por períodos relativamente tardios da pré-história.

Os pesquisadores sugerem que o porte menor da Eschatornis aterradora pode ter proporcionado menor competição direta com grandes carnívoros da época, como ursos, felinos e canídeos, favorecendo sua sobrevida até fases mais recentes do Pleistoceno.

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