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Florestas tropicais à beira do colapso por novas demandas de recursos

Demanda por minerais, biocombustíveis e celulose pressiona florestas tropicais, ampliando o desmatamento na Amazônia e em biomas vizinhos

A drone view of the world's largest iron ore mine, in the middle of a vast rainforest preserve in Carajás national forest in the Amazonian state of Pará, Brazil.
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  • Um estudo aponta que novos desejos por minerais críticos, biocombustíveis e pasta de celulose aumentam a pressão sobre a Amazônia, o Congo e o Sudeste Asiático.
  • A extração de recursos minerais tem impactos ambientais mais amplos do que se pensava, incluindo poluição da água e infraestrutura que corta áreas de floresta.
  • A produção de carne bovina prevista para crescer (em torno de 10,2%) pode provocar pelo menos 57 mil quilômetros quadrados de desmatamento até 2034, com possível aumento se o manejo no Brasil migrar para a Amazônia.
  • Minas a céu aberto já ocupam 1,9 milhão de hectares na Amazônia e devem crescer, puxadas pela demanda por joias, tecnologia e reservas, com desmatamento adicional previsto de 375 quilômetros quadrados até 2028.
  • A expansão de óleo, gás, carvão e cultivos para biocombustíveis deve intensificar a pressão, com estimativas de que 52 milhões de hectares adicionais de lavouras serão necessários para atender a demanda global até 2030.

A Amazônia e biomas similares enfrentam pressão crescente de novas demandas por recursos. Mineralogia, biocombustíveis e celulose para moda rápida, alimentos processados e embalagens aparecem somando-se a atividades como pecuária, monoculturas, petróleo e extração de madeira. O alerta vem de um estudo encomendado pela Rainforest Foundation Norway e produzido pelo Profundo.

A análise aponta que a mineração tem impacto ambiental maior do que o previsto, com contaminação de água e construção de estradas, assentamentos e infraestrutura. Entre 10% e um terço das florestas já são afetadas, com tendência de aumento conforme a demanda for crescendo.

O relatório destaca a necessidade urgente de substituir ou reduzir o uso de produtos oriundos de regiões florestais, em vez de apenas ampliar o consumo. O estudo acompanha tendências que colocam em risco a Amazônia, o Congo e o Sudeste Asiático, prejudicando a capacidade de regular temperatura, armazenar carbono e manter ecossistemas.

A pesquisa identifica pecuária, agricultura e mineração de ouro como as maiores ameaças, projetando expansão contínua nesses setores. Segundo o relatório, as pressões combinadas de energia, mineração e comércio eletrônico devem ser entendidas em conjunto, pois atuam de forma integrada contra as florestas.

Aumento previsto na produção de gado no Brasil é de 10,2% e pode provocar pelo menos 57 mil km² de desmatamento até 2034, caso a tendência permaneça. A projeção considera ainda o crescimento global da produção de carne em 13% no mesmo período.

A extração de ouro já ocupa 1,9 milhão de hectares na Amazônia e tende a crescer com a demanda por Joias, tecnologia e reservas de investidores. O estudo associa queda de biodiversidade e desmatamento a variações de preço do ouro, apontando possível acréscimo de 375 km² de desmatamento até 2028.

Petróleo, gás e carvão ganham importância na destruição de florestas, com exploração na Amazônia brasileira, no Peru, Colômbia, Suriname e outros. Quase um quinto das reservas globais identificadas entre 2022 e 2024 situa-se em áreas da região amazônica e regiões oceânicas.

A Congonhas, na República Democrática do Congo, autorizou exploração de 52 blocos de petróleo em áreas de Cuvette Centrale, um território com carbono terrestre relevante e alta biodiversidade. A medida amplia o escrutínio sobre impactos ambientais e sociais.

A pressão por minerais críticos, como lítio, níquel e cobalto, também aumenta. As informações indicam que a frota global de veículos elétricos pode gerar desmatamento adicional entre 1.500 km² e 4.700 km² até 2050, dependendo das tendências atuais.

A quantidade estimada de área de cultivo necessária para atender à demanda global por biocombustíveis em 2030 é de cerca de 52 milhões de hectares. Isso representa menos de 1% do desmatamento total previsto, mas seus efeitos indiretos são relevantes, especialmente pela contaminação de recursos hídricos.

Segundo Veera Mo, da Rainforest Foundation Norway, os impactos cumulativos da mineração sobre áreas de floresta costumam estar subestimados. O estudo também aponta riscos adicionais de fontes de biocombustível ligadas a soja, sebo, palma e etanol, que podem resultar em desmatamento relevante na Amazônia até 2035.

O relatório recomenda maior transparência nas cadeias de suprimento, aplicação mais firme de regulações e reciclagem para reduzir a necessidade de novos mineração. O objetivo central é reduzir a demanda nos países consumidores, evitando o acúmulo de pressões sobre os biomas.

Barbara Kuepper, autora principal, afirma que a redução do uso de recursos é inevitável e que reciclagem ajuda, mas não resolve sozinha. Mesmo em setores de transição, como o energético, o impacto sobre as florestas permanece elevado.

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