- Ensaio com 30 pessoas com depressão moderada a grave testou tocilizumabe, medicamento anti-inflamatório, versus placebo em quatro semanas.
- Resultado mostrou maior melhoria gradual em pacientes que receberam tocilizumabe, em medidas de gravidade da depressão, fadiga, ansiedade e qualidade de vida, apesar de não haver diferença estatisticamente significativa entre os grupos no conjunto.
- Pacientes tratados com tocilizumabe tiveram 54% de remissão de depressão, frente a 31% no grupo placebo, o que resultou em um número necessário para tratar (NNT) de cinco.
- A comparação com inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) aponta que o NNT dos ISRS é cerca de sete, sugerindo potencial benefício relativo da imunoterapia.
- Os pesquisadores ressaltam que, apesar do tamanho reduzido do estudo, o trabalho indica potencial da imunoterapia para depressão de difícil tratamento e destaca a necessidade de mais pesquisas.
O estudo, conduzido por pesquisadores da University of Bristol, sugere que a imunoterapia pode ser uma opção para depressão resistente a antidepressivos. A avaliação inicial utilizou tocilizumab, droga anti-inflamatória comum em doenças como artrite reumatoide, em pacientes com depressão de moderada a grave.
Ao todo, 30 participantes com depressão refratária foram randomizados para receber tocilizumab ou placebo por quatro semanas. O objetivo foi verificar se o bloqueio do receptor IL-6R poderia reduzir os sintomas de depressão e melhorar a qualidade de vida.
Resultados indicaram, mesmo em estudo pequeno, que o grupo que recebeu tocilizumab apresentou melhorias ao longo do tempo em várias medidas, incluindo gravidade da depressão, fadiga, ansiedade situacional e qualidade de vida, comparado ao placebo.
Resultados-chave
Os participantes tratados com tocilizumab tiveram maior probabilidade de remissão da depressão do que os do grupo placebo (54% vs 31%). O estudo também calculou o número necessário tratar (NNT) em 5, sugerindo benefício semelhante ou superior a algumas opções atuais.
Os autores destacam que o estudo é pioneiro em testar imunoterapia para depressão e ilustra um caminho para abordagens mais personalizadas, com tratamento escolhido de acordo com a biologia do paciente. O trabalho reforça a importância de novas terapias para casos de depressão difícil de tratar.
Dr. Golam Khandakar, coordenador do estudo, ressaltou a natureza experimental da pesquisa e o papel da imunoterapia como milestone no tratamento da condição. A pesquisadora Éimear Foley reforçou a necessidade de estratégias mais direcionadas para atender pacientes específicos.
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