- Estudo com oito mil participantes, coletados entre 2017 e 2023, aponta que o padrão de consumo importa tanto quanto a quantidade total de álcool.
- Pessoas com fígado gordo que bebem em excesso pelo menos uma vez por mês têm risco maior de fibrose hepática, mesmo que a ingestão seja realizada de forma intermitente.
- O risco aumenta quando quatro doses ou mais são consumidas por mulheres e cinco ou mais por homens, em um único episódio.
- O uso frequente de bebidas alcoólicas pode agravar a esteatose hepática, associada a inflamação, cicatrizes e, em casos graves, câncer ou necessidade de transplante.
- Pesquisadores sugerem ampliar o rastreamento e o acompanhamento de pacientes com doença hepática não alcoólica, considerando também o consumo alcoólico como fator de risco.
O consumo de álcool em episódios de bebedeira triplica o risco de fibrose em pessoas com gordura no fígado. A conclusão vem de um estudo publicado na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, que analisou dados de 8 mil participantes nos EUA entre 2017 e 2023.
Os pesquisados foram observados quanto ao padrão de consumo e não apenas à quantidade total de álcool. Beber quatro ou mais doses (mulheres) ou cinco ou mais (homens) ao menos uma vez por mês elevou o risco de fibrose em relação a ingestões diluídas ao longo do tempo.
O trabalho utilizou dados do National Health and Nutrition Examination Survey, destacando que a relação entre álcool e fígado gordo é relevante mesmo em períodos recreativos. O foco está no risco de progressão para fibrose, cirrose e, em casos graves, câncer hepático.
A esteatose hepática, comummente chamada de fígado gordo, atinge cerca de 40% da população adulta mundial e está ligada a inflamação crônica e cicatrizes. A condição é associada a maior risco de transplante no cenário atual.
Especialistas enfatizam a necessidade de revisar a classificação da doença. Desde 2023, o termo MASLD descreve a doença hepática associada a disfunção metabólica, ligada a obesidade, hipertensão e desequilíbrios lipídicos. Quando o álcool participa, entra a definição MetALD.
Os autores sugerem que parte de pacientes classificados como MASLD poderia estar sob maior risco quando há consumo alcoólico frequente. Aproximadamente 16% dessas pessoas relataram episódios de bebida excessiva.
Para a especialista Carolina Pimentel, o estudo reforça a urgência de ampliar rastreamento e acompanhamento. O fígado pode evoluir sem sintomas, mantendo funções até fases avançadas, quando surgem sinais de doença ou necessidade de transplante.
Medidas preventivas passam por check-ups regulares para detectar precocemente sinais de esteatose. A orientação é clara: não existe dose segura de álcool, especialmente para quem tem gordura no fígado.
Essas evidências ganham relevância diante do aumento de casos de doença hepática associada ao metabolismo. Pesquisadores destacam a importância de estratégias de saúde pública voltadas à prevenção e ao monitoramento clínico.
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