- Pesquisadores mostram que larvas de coral ramificado Acropora spathulata conseguem se dispersar por cerca de 100 quilômetros entre recifes do Pacífico ocidental, conectando populações distantes como as da Austrália e da Nova Caledônia.
- O estudo, com mais de mil corais em 29 recifes, aponta que a dispersão favorece a recuperação de recifes após distúrbios como ondas de calor, predadores e ciclones.
- A diversidade genética entre populações é vista como essencial para ampliar a capacidade de adaptação dos recifes às mudanças climáticas.
- Foi identificado que as larvas podem carregar variações genéticas entre recifes, facilitando a recolonização de áreas degradadas e a resistência ao calor.
- Os pesquisadores destacam a necessidade de estratégias de conservação internacionais e redução drástica de emissões de gases de efeito estufa para proteger os recifes e a biodiversidade marinha.
Dois conjuntos de dados mostram que larvas de coral podem percorrer grandes distâncias, conectando recifes distantes e ampliando a capacidade de adaptação a mudanças climáticas. O estudo foca no coral ramificado Acropora spathulata e foi publicado na Current Biology.
Os pesquisadores da Southern Cross University e do French National Center for Scientific Research analisaram mais de mil corais em 29 recifes, incluindo a Grande Barreira de Corais, atóis do Mar de Coral e áreas da Nova Caledônia. A conclusão aponta dispersão média de cerca de 100 quilômetros entre pais e descendentes.
Em alguns casos observados, populações na Austrália e na Nova Caledônia trocaram material genético, apesar da distância entre elas ser de milhares de quilômetros. Esse fluxo genético pode facilitar a recuperação de recifes após eventos disruptivos, como ondas de calor, surtos de predadores e ciclones.
Correntes que conectam recifes distantes
A equipe identificou que as larvas liberadas durante a reprodução são transportadas pelas correntes oceânicas, conectando populações separadas por longas distâncias. Essa conectividade favorece a recolonização de áreas degradadas e a troca de variantes genéticas.
A pesquisa também examinou a relação entre corais e microalgas simbióticas, encontrando cinco grupos distintos dessas algas associados ao Acropora spathulata conforme as condições ambientais. Esse aspecto pode influenciar a resposta dos corais ao calor.
Para a cientista Cynthia Riginos, coautora do estudo, pesquisas em escala tão ampla costumam ser raras e destacam a importância de olhar para padrões entre populações geograficamente afastadas. O estudo reforça a necessidade de estratégias internacionais de conservação.
Implicações para a conservação e para o clima
Os resultados sugerem que a diversidade genética funciona como um combustível para a adaptação de recifes a águas mais quentes, o que é crucial numa era de aquecimento global. Especialistas ressaltam que a proteção de conexões entre recifes pode favorecer a resiliência de ecossistemas marinhos inteiros.
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