- A dieta GAPS restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos, e a Baby GAPS adapta o protocolo para bebês a partir de quatro meses; não há evidência científica robusta de benefícios.
- Organizações de gastroenterologia pediátrica da Europa e da América do Norte não recomendam o uso, alertando para riscos nutricionais, como deficiências de micronutrientes e ingestão calórica inadequada.
- A popularização envolve desinformação, associando imunidade de bebês e autismo a vacinas e toxinas; não há comprovação científica dessas ligações.
- Cortar alimentos como leguminosas e glúten não tem respaldo: feijão pode ser introduzido aos seis meses e o glúten entre seis e doze meses; restrições não são indicadas para crianças saudáveis.
- Diretrizes de introdução alimentar indicam iniciar aos seis meses, com alimentação gradual, variada e com inclusão de alimentos potencialmente alergênicos; açúcar deve ser evitado nos primeiros dois anos.
A dieta GAPS, que restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos, ganhou adesão no Brasil e no mundo, inclusive entre famílias com bebês na introdução alimentar. O protocolo promete benefícios para a saúde, mas carece de evidências robustas.
A versão infantil, chamada Baby GAPS, adapta o método para bebês a partir de 4 meses. O protocolo foi criado pela médica e nutricionista Natasha Campbell-Mric, em 2004, para adultos, com base em alto consumo de proteínas animais. A adaptação infantil aparece em um livro de 2023.
O livro GAPS Baby, Building Baby’s Biome, escrito por Natasha Campbell-McBride e Becky Plotner, orienta alimentos pastosos e caldos, uso frequente de probióticos e introdução lenta de sólidos.
Riscos e orientação médica
Especialistas alertam que não existem ensaios clínicos robustos que comprovem benefícios da dieta GAPS. Sociedades europeias e norte-americanas de gastroenterologia e nutrição pediátrica não recomendam o uso, destacando riscos nutricionais em dietas restritivas sem indicação médica.
A prática pode levar a deficiências de micronutrientes, restrição calórica e prejuízos ao desenvolvimento infantil quando mantida por longo período, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Desinformação e afirmações desacertadas
Conteúdos online associam Baby GAPS à melhoria da imunidade de bebês prematuros ou com sensibilidades alimentares. Há ainda alegações ligadas a vacinação, “toxinas” e autismo, hipóteses já rejeitadas pela ciência.
O acompanhamento médico e a avaliação individual são cruciais, inclusive para evitar impactos no desenvolvimento motor oral devido ao consumo excessivo de alimentos pastosos.
O que dizem as diretrizes de alimentação infantil
Leguminosas como feijão costumam ser introduzidas a partir dos 6 meses, acompanhando a alimentação complementar. A recomendação atual é não restringir feijão em crianças saudáveis, segundo especialistas.
O glúten deve entrar entre 6 e 12 meses, na chamada janela imunológica, sem benefício comprovado em postergar a introdução. A exclusão é indicada apenas em doença celíaca confirmada, conforme orientam especialistas.
O açúcar, único item restrito pela Baby GAPS com respaldo científico, deve ser evitado nos primeiros dois anos. A ideia de cortar carboidratos por completo não encontra apoio nas diretrizes.
Orientações para introdução alimentar adequada
Guias internacionais e nacionais sugerem iniciar a alimentação complementar aos 6 meses, com sinais de prontidão. Introdução gradual, variedade e alimentos alergênicos, como ovo e amendoim, dentro da janela imunológica, estão associados a maior tolerância oral.
A alimentação infantil deve incluir vegetais, frutas, cereais, leguminosas e proteínas, com progressão de textura conforme o desenvolvimento. Sal só deve ser adicionado após 1 ano, conforme orienta a Sociedade Brasileira de Pediatria.
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