- A crise climática e o desmatamento podem ampliar o contato entre cobras venenosas e pessoas, elevando o risco de picadas em várias regiões do mundo.
- O estudo, liderado pela Organização Mundial da Saúde e publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, projeta deslocamentos de serpentes até 2050 e 2090.
- Espécies venenosas devem migrar de África, Ásia, Europa e Américas para novas áreas, com exemplos como mamba-negra avançando na África e cobras-mocassins chegando a áreas mais ao norte nos EUA.
- Estima-se cerca de quatro milhões de acidentes com cobras por ano, sendo aproximadamente 138 mil mortes e 400 mil pessoas com sequelas.
- A Amazônia também é citada, com aumento de encontros entre humanos e serpentes devido ao desmatamento e à ocupação de habitats naturais.
A crise climática e a transformação do uso da terra podem ampliar o risco de acidentes com cobras venenosas em todo o mundo. Estudo liderado pela Organização Mundial da Saúde aponta que o aquecimento global altera habitats e aumenta o contato entre serpentes e pessoas.
A pesquisa, publicada na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, mapeou 508 espécies consideradas medicamente importantes. Até 2050 e 2090, prevê deslocamentos relacionados ao clima, desmatamento e expansão urbana.
O estudo aponta que África, Ásia, Europa e Américas já registram migrações de cobras para novas regiões. O analista David Williams, da OMS e da Universidade de Melbourne, afirma que o encontro humano-serpente deve crescer.
O mapeamento foi feito com dados de museus, ciência cidadã e observações especializadas, com resolução de 1 km² global. O objetivo é entender padrões de risco e orientar políticas públicas.
Serpentes venenosas devem perder habitat por calor extremo e transformação de florestas em áreas urbanas, monoculturas e pastagens. Algumas espécies podem enfrentar maior risco de extinção.
Outras espécies devem ampliar áreas de ocorrência. A mamba-negra, comum na África, pode avançar para a África do Sul, Nigéria e Somália. Cobras-mocassins podem migrar para o norte dos EUA, chegando a Nova York.
Na Ásia, kraits podem deixar florestas de Myanmar e do sul da China rumo a áreas densamente povoadas. O estudo sugere que mudanças de habitat elevam chances de contato com populações urbanas.
A pesquisa estima cerca de quatro milhões de acidentes com cobras por ano, principalmente em regiões tropicais. Aproximadamente 138 mil fatalidades e 400 mil sequelas permanentes são previstas.
Os impactos são mais graves em regiões pobres e remotas, onde trabalhadores rurais atuam descalços e o acesso a serviços de saúde é limitado. Os resultados ajudam a planejar estoques de soros e reforçar hospitais.
O estudo ainda destaca áreas da Amazônia como vulneráveis. A combinação de desmatamento e ocupação humana pode aumentar encontros entre pessoas e cobras na região.
Em síntese, a crise climática não afeta apenas clima, mas o comportamento e a distribuição de fauna, apresentando desafios para a biodiversidade, a saúde pública e a adaptação climática.
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