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Lagartos assexuados e espécies femininas: reprodução virginal e clones

Estudo mostra que a molinésia-amazona sustenta populações 100% femininas por partenogênese e conversão gênica, enfrentando baixa diversidade

Reprodução assexuada — Foto: LifeonWhite/sketchify/EllesRijsdijk/MikhailRudenko/rockptarmigan/Nigel Marsh/KenGriffiths(Canva); GriffinGillespie x2 (Shutterstock)
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  • A molinésia-amazona (Poecilia formosa) vive em populações 100% femininas e reproduz por clonagem desde 1932, segundo estudo genético recente.
  • A reprodução assexuada reduz a diversidade genética, o que costuma aumentar o risco de extinção, apesar de essa espécie ter sobrevivido por mais de 100 mil anos.
  • A conversão gênica funciona como mecanismo de reparo, similar à recombinação, ajudando a eliminar mutações prejudiciais e manter adaptação ao ambiente.
  • A molinésia-amazona usa partenogênese ginogênese, em que o esperma estimula o desenvolvimento do óvulo não fertilizado, sem transmitir genes do macho à prole.
  • Outros vertebrados com populações exclusivamente femininas incluem o lagarto-chicote do Novo México e a cobra-cega-brahmina, que possuem estratégias cromossômicas ou genéticas que favorecem a sobrevivência de clones.

A reprodução assexuada de espécies exclusivamente femininas desafia a norma da biologia. Um estudo recente analisa como a molinésia-amazona, peixe que habita rios e pântanos no México e no Texas, mantém populações inteiras de fêmeas há milhares de anos. Descobertas apontam para mecanismos genéticos que reduzem a variabilidade, mas promovem a sobrevivência.

O peixe reproduz-se sem mistura de material genético, por partenogênese. Esse modo facilita colonizações rápidas, mas cria populações geneticamente idênticas, aumentando o risco de extinção diante de doenças ou mudanças ambientais.

A molinésia-amazona é um híbrido resultante de reprodução sexual entre fêmea de molinésia do Atlântico e macho de outra espécie. Pesquisas apontam que a conversão gênica atua para retardar a catraca de Muller, preservando mutações benéficas e eliminando as prejudiciais.

Em estudo recente, cientistas mostraram que a conversão gênica funciona similar à recombinação, compensando a ausência de mistura de genes. Assim, mesmo sem reprodução sexual, há evolução local em traços corporais entre populações.

A reprodução ocorre por ginogênese, um tipo de partenogênese em que o esperma estimula o desenvolvimento do óvulo não fertilizado. O espermatozoide não se incorpora ao material genético da prole.

Esses mecanismos de reprodução são encontrados em outros vertebrados. Lagartos-chicotes do Novo México, por exemplo, reproduzem-se sem necessidade de macho, enquanto algumas salamandras são cleptogênicas, incorporando DNA dos espermatozoides.

A cobra-cega-brahmina também é um vertebrado que se reproduz exclusivamente por partenogênese. Possui três cópias de cromossomos, o que favorece a diversidade genética na linha de descendência.

Especialistas ressaltam que ainda há potencial para descobrir outras espécies com populações inteiramente femininas. A pesquisadora Louise Gentle, da Universidade de Nottingham Trent, comenta a importância dessas evidências para a compreensão da evolução reprodutiva.

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