- Milhares de poços artesianos na Região Metropolitana de São Paulo estão em risco de contaminação por resíduos industriais, segundo estudo da Universidade de São Paulo; dos 2,5 mil poços cadastrados, metade fica em antigas áreas industriais.
- Existem quase 10 mil poços não registrados na Grande São Paulo, o que dificulta o monitoramento da qualidade da água.
- Entre os poços recuperáveis, houve 1.902 casos de sucesso no estado de São Paulo, com média de recuperação de 15 anos, segundo o artigo.
- A contaminação envolve solventes organoclorados de atividades industriais; mesmo em pequenas concentrações, podem causar danos à saúde, e a vaporização aumenta o risco de inalação.
- Embora apenas 18 por cento do abastecimento da Grande São Paulo venha de poços artesianos, a água subterrânea pode ser segura para consumo, dependendo das condições geológicas e da preservação do solo e áreas verdes.
Um estudo da Universidade de São Paulo aponta que milhares de poços artesianos na Região Metropolitana de São Paulo enfrentam risco de contaminação por resíduos industriais. Ao todo, 2,5 mil poços cadastrados na região podem estar em áreas industriais antigas, elevando a preocupação com a qualidade da água.
A gravidade aumenta ao considerar os poços não registrados, que somam quase 10 mil na Grande São Paulo. A pesquisadora Daphne Pino, do Cepas-USP, ressalta a dificuldade de monitorar a química da água sem cadastros, principalmente quando os poços ficam em áreas de antigas indústrias ou em zonas adjacentes.
Contaminação por resíduos industriais
No estudo, foram identificados casos de sucesso na recuperação de poços em São Paulo: 1.902 situações, em média levadas 15 anos para a remediação. O protocolo envolve análise da água, suspensão do uso se houver contaminação e investigação da origem para definir técnicas de gestão, como remediação, medidas de engenharia ou restrição de uso.
A contaminação pode não ser perceptível por sensações como cheiro ou cor. Reginaldo Bertolo, geocientista do Cepas-USP, explica que água aparentemente saudável pode ocultar contaminação, especialmente por solventes organoclorados de origem industrial. A inalação de vapores também representa risco.
A ingestão de água contaminada pode causar danos neurológicos, alterações no fígado e nos rins, além de aumentar o risco de câncer, segundo Daphne. Ainda que a Grande São Paulo tenha apenas 18% de seu abastecimento proveniente de poços artesianos, a água subterrânea apresenta grande potencial de uso, dependendo do solo, da geologia e da preservação de áreas verdes.
Reginaldo Bertolo cita a Cidade Universitária da USP como exemplo: a extensa área verde protege as águas subterrâneas, e estudos indicam boa qualidade da água local, com potencial de abastecimento. A pesquisa reforça a importância de monitorar a qualidade da água mesmo quando sinais perceptíveis estão ausentes.
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