- A energia das ondas e das marés transforma o oceano em fonte renovável limpa, com previsibilidade e potencial de complementar a solar e a eólica.
- A maremotriz aproveita a diferença de nível entre maré alta e baixa, usando barragens, canais e turbinas submarinas para gerar eletricidade. A densidade da água permite maior aproveitamento de energia em áreas menores.
- Projetos incluem turbinas submersas, plataformas flutuantes e fazendas submarinas conectadas à rede, com testes em escala real em vários países.
- Exemplos históricos e atuais: usina de La Rance, na França, desde os anos sessenta; usina de Sihwa, na Coreia do Sul; e iniciativas de correntes de maré no Reino Unido e no Canadá.
- Principais desafios: corrosão, fadiga estrutural e custo inicial elevado; além de necessidade de estudos de impacto ambiental e monitoramento contínuo.
A energia do oceano é apontada como uma fonte limpa e previsível, capaz de complementar a solar e a eólica. Ondas e marés podem ocupar espaço crescente na matriz elétrica, especialmente devido à alta densidade da água e aos ciclos previsíveis do mar.
Especialistas destacam que a maremotriz e a ondulomotriz acompanham ciclos contínuos, proporcionando previsibilidade de oferta. Testes em escala real em diversos países já indicam viabilidade técnica, ainda que custos estejam em ajuste.
Como funciona a energia maremotriz
A maremotriz utiliza a diferença de nível entre maré alta e baixa. Barragens ou canais orientam o fluxo de água, que acarreta no movimento de turbinas conectadas a geradores quando a água retorna ao oceano.
Essa lógica lembra hidrelétricas fluviais, mas depende da gravidade da Lua e do Sol. A previsibilidade das marés permite planejar a geração com antecedência, facilitando a integração com fontes intermitentes.
A densidade da água favorece extração de energia mesmo com velocidades moderadas, permitindo projetos mais compactos para a mesma potência. A comparação com aerogeradores ressalta essa vantagem.
Energia das ondas e turbinas submarinas
Turbinas sob o mar operam como aerogeradores submersos: pás giram com o fluxo, acionando eixo e gerando energia. Ancoragens no fundo marinho aproveitam correntes intensas e regulares para manter a operação.
Projetos ondulomotrizes exploram a oscilação das ondas: plataformas flutuantes, bóias e braços hidráulicos transformam o movimento em energia por meio de compressões ou ar movido a jatos.
Essa tecnologia usa a física dos fluidos, em que a energia varia com velocidade e densidade da água. Correntes contínuas permitem operação estável em escalas menores, mantendo rendimento.
Projetos globais e caminhos para o futuro
França opera há décadas a usina de La Rance, integrada ao sistema elétrico. A Coreia do Sul investiu na usina de Sihwa, ampliando o portfólio renovável. Reino Unido e Canadá testam fazendas submarinas para reduzir custos de infraestrutura.
Instalações piloto em mar aberto contam com Portugal, Escócia e Austrália, visando redes isoladas e ilhas. Esses locais ajudam a refinar materiais, controle e ancoragem antes de projetos maiores perto de grandes centros.
Desafios técnicos e ambientais
A corrosão marinha, fadiga estrutural e incrustação biológica exigem materiais resistentes, revestimentos e proteção catódica. Inspeções com robôs e mergulhadores são comuns para manter a segurança das estruturas.
Além de impactos ambientais, regulações exigem estudos de impacto ambiental detalhados. Monitoramento de ruído subaquático, migração de espécies e qualidade da água é comum em áreas de instalação.
O papel da energia oceânica na matriz energética
Estudos apontam que a energia oceânica introduz pouca ou nenhuma emissão durante a operação. Ainda assim, a avaliação de impactos locais orienta decisões de planejamento.
Governos e empresas mapeiam zonas de marés e ondas intensas, avaliam sensibilidade ecológica e definem tecnologias adequadas ao regime local. O monitoramento ambiental de longo prazo é parte essencial da estratégia.
A aposta é integrar a energia das ondas e das marés à transição energética, buscando uma matriz estável, previsível e de baixa emissão de carbono, sob supervisão técnica e regulatória rigorosa.
Entre na conversa da comunidade