- Estudo na revista JAMA Neurology associa exposição pré-natal ao clorpirifós (CPF) a alterações persistentes no desenvolvimento cerebral de crianças expostas ainda no útero.
- A pesquisa acompanhou duzentas e setenta crianças e adolescentes com evidências de exposição pré-natal, detectada no sangue do cordão umbilical.
- Entre seis e quatorze anos, participaram de exames de imagem cerebral, testes de desempenho motor, avaliações comportamentais e metabologia cerebral.
- Constatou‑se que quanto maior a exposição, mais intensas foram as alterações cerebrais, incluindo redução na velocidade motora e dificuldades de coordenação e planejamento de movimentos.
- Os resultados indicam efeitos silenciosos e progressivos ao longo do desenvolvimento, com impactos na estrutura e no funcionamento metabólico do cérebro, e ressaltam a presença continuada do clorpirifós na agricultura, sobretudo em frutas, verduras, grãos e produções não orgânicas.
A exposição pré-natal ao pesticida clorpirifós (CPF) está associada a alterações persistentes no desenvolvimento cerebral de crianças, segundo estudo publicado na JAMA Neurology em 2025. A pesquisa, liderada por Virginia Rauh e Bradley Peterson, acompanhou 270 crianças com evidência de contato durante a gestação.
O CPF foi detectado no sangue do cordão umbilical, indicando exposição ainda no útero. Acompanhamento ocorreu entre os 6 e 14 anos, envolvendo exames de imagem cerebral, testes de desempenho motor e avaliações comportamentais e metabólicas.
Metodologia e principais achados
Entre os participantes, maior exposição ao clorpirifós correlacionou-se com alterações mais acentuadas na estrutura e no funcionamento cerebral. Houve redução da velocidade motora e dificuldades em tarefas de coordenação e planejamento motor.
As alterações observaram-se em áreas ligadas ao controle motor e ao desenvolvimento neural, sugerindo interferência em etapas críticas da formação cerebral, ainda na gestação.
Persistência e relevância do risco
Os resultados indicam que os impactos costumam ser silenciosos e progressivos ao longo da infância e adolescência, reforçando a importância de monitoramento neurodesenvolvimental.
Além do CPF, o estudo ressalta que outros pesticidas organofosforados podem apresentar efeitos semelhantes, sobretudo durante a gestação e a primeira infância.
Panorama de uso do clorpirifós e implicações
O CPF permanece presente na agricultura, amplamente utilizado em frutos, vegetais, grãos e produções não orgânicas. Mesmo com restrições residenciais, a exposição humana pode ocorrer por meio de resíduos alimentares, partículas aéreas próximas a lavouras e contato ambiental em áreas rurais.
Implicações para política pública e saúde
O estudo reforça a necessidade de estratégias de prevenção da exposição pré-natal a pesticidas para proteger o desenvolvimento neurológico infantil. Pesquisas adicionais são importantes para esclarecer os mecanismos subjacentes.
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