Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Último super El Niño: intervalo entre eventos extremos vem encurtando

Até o fim de dois mil e vinte e seis, aumentam as chances de El Niño muito forte; intervalos entre eventos extremos se encurtam, elevando riscos de secas no Norte e cheias no Sul

Inundações causadas pelo fenômeno El Niño de 2016-2017 no Peru afetaram 1,9 milhão de pessoas — Foto: Sandro Chambergo/AP
0:00
Carregando...
0:00
  • Há debate sobre qual foi o último fenómeno El Niño “super”, com 2015–2016 e 2023–2024 citados por pesquisadores como os mais extremos.
  • Em 2015–2016 houve aquecimento de cerca de 2,6 °C acima da média; em 2023–2024 ficou em torno de 2 °C no auge, beirando o limiar para classificar como super El Niño.
  • A tendência observada é de redução do intervalo entre os episódios mais intensos: de 18 anos entre 1997 e 2015, para oito anos entre 2015 e 2023, e potencialmente três anos se 2026–2027 for muito forte.
  • A NOAA indica 96 por cento de probabilidade de surgir um evento forte ou muito forte até o fim de 2026 ou início de 2027, com incerteza ainda visível entre as categorias de intensidade.
  • No Brasil, o Cemaden alerta para possíveis quedas de chuva e altas temperaturas no Norte e Nordeste, e maior probabilidade de chuvas intensas no Sul, com riscos de enchentes, deslizamentos e incêndios em cenários de El Niño mais intenso.

Desde 1950, houve cinco episódios de El Niño classificados como muito fortes. O intervalo entre eles já chegou a 18 anos, mas pode cair para menos de cinco se o evento previsto para este ano atingir alta intensidade. A tendência preocupa pelo possível encurtamento de períodos entre eventos extremos.

A divergência entre definidores do termo “super El Niño” não muda apenas o rótulo. Enquanto alguns situam o pico de 2015-2016 como o mais intenso já registrado, outros incluem 2023-2024, que ficou próximo do limite para a classificação.

Para 2015-2016, o aquecimento chegou a 2,6 °C acima da média, o maior registrado por instrumentos modernos. Já em 2023-2024, as temperaturas ficaram em torno de 2 °C acima da média no auge, aproximando-se do limiar de “super El Niño”.

Essa discussão de definição ajuda a entender um padrão observado na literatura: os intervalos entre os El Niños mais intensos vêm diminuindo. A NOAA estima 96% de probabilidade de um episódio forte ou muito forte até o fim de 2026, entre dezembro e fevereiro de 2027.

Ao analisarem a série histórica, pesquisadores identificam uma possível aceleração no intervalo entre eventos extremos: 1972-1982 (10 anos), 1982-1997 (15 anos), 1997-2015 (18 anos), 2015-2023 (8 anos). Se 2026-2027 confirmar-se muito forte, o intervalo seria de 3 anos.

Os modelos atuais indicam incerteza. Em abril, 25% de chance de ultrapassar 2 °C; em maio, 37%. Mesmo assim, nenhuma categoria supera 37% de probabilidade, mantendo o cenário sem domínio claro de intensidade.

A NOAA aponta que episódios mais intensos costumam ter forte acoplamento oceano-atmosfera no verão do Hemisfério Norte, reação que ainda não foi observada em 2026. A confirmação depende da chamada barreira de previsibilidade, que tende a perder força em junho.

Para o Brasil, o Cemaden informa que um El Niño mais intenso pode elevar riscos de seca no Norte e no Nordeste, com temperaturas mais altas. No Sul, o quadro aponta para chuvas mais intensas e persistentes, principalmente entre primavera e verão.

O órgão sinaliza que o Rio Grande do Sul pode apresentar aumento significativo do risco hidrológico, incluindo enchentes e deslizamentos. Santa Catarina e Paraná também apresentam maior probabilidade de eventos extremos, com variação regional.

Por fim, especialistas ressaltam que a análise não é uma previsão determinística. O objetivo é orientar monitoramento, preparo e planejamento ante um cenário climático ainda incerto e sujeito a mudanças.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais