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Casarão de Ouro Preto é oficializado como sítio arqueológico ligado a escravos

Casarão de Ouro Preto é registrado como sítio arqueológico; painel com 26 registros de escravizados revela memória da diáspora africana

Registros apontados como feitos por escravos em parede de casarão em Ouro Preto (MG) - Leonardo Klink
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  • Casarão na região central de Ouro Preto foi registrado em março como sítio arqueológico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
  • No imóvel há um painel com 26 registros identificados, possivelmente feitos por diferentes gerações de escravos durante os séculos XVIII e XIX.
  • A propriedade tem mais de 250 anos e os desenhos foram descobertos durante uma reforma em 2017.
  • O sítio foi nomeado Inscrições Afrodiaspóricas e é considerado um bem de grande importância para a história da diáspora africana em Minas Gerais e no Brasil.
  • Pesquisador Leonardo Klink aponta que as técnicas e referências sugerem autoria diversa e que o espaço pode ter tido função variada, além de representar preservação cultural e contestação no contexto da escravidão.

Um casarão da região central de Ouro Preto (MG) foi oficializado como sítio arqueológico em março, pelo IPHAN. O espaço abriga um painel com 26 registros ligados a pessoas escravizadas, feitos entre os séculos 18 e 19 durante diferentes gerações.

A propriedade tem mais de 250 anos e passou por várias posses até ser reformada em 2017, quando o desenho na parede foi descoberto. Hoje, o lugar recebe normas de conservação sob tutela federal.

Doutorando em Arqueologia pela UFMG, o pesquisador Leonardo Klink estuda os registros no casarão. Ele adota uma abordagem documental, preservando a estrutura e a espessura do painel, que varia entre 1,5 e 6 cm.

Sobre as inscrições

Klink aponta que a argamassa do painel possivelmente foi preparada com fibras vegetais, restos de animais, areia, cal e argila. O material não possuía função arquitetônica, sugerindo uso decorativo ou documental.

Os desenhos apresentam vegetação, animais e estruturas arquitetônicas lembradas pelas pessoas escravizadas. Há referências a símbolos da África Ocidental e a elementos de outras regiões do continente.

Apesar de indicar autoria de diferentes indivíduos, ainda não é possível determinar se o espaço funcionava como senzala ou apenas um local pouco frequentado pela casa. A hipótese é de que os desenhos possam ter sido criados em momentos de privação de liberdade.

Perspectivas do estudo

A área onde ficam os registros era um porão típico da antiga Vila Rica. O espaço era estreito, úmido e de baixa altura, o que influencia a leitura dos traços e das técnicas.

Segundo o pesquisador, sobraram técnicas que variam de grafite com fuligem a incisões em cacos de vidro, louças ou ossos de animais. A diversidade de métodos aponta para a participação de diferentes indivíduos.

Klink ressalta que as imagens podem representar uma forma de preservação cultural e, ao mesmo tempo, uma resposta a condições de violência e proibição de expressão. A pesquisa continua buscando entender o contexto histórico do conjunto.

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