- Durante a pandemia de Covid-19, pesquisadores combinaram dados de localização de celulares com rastreadores em 37 espécies de aves e mamíferos selvagens nos Estados Unidos para entender o impacto humano na vida animal.
- Em dois terços das espécies, a presença humana influenciou a extensão do espaço que os animais ocupam ou a variedade de habitats que exploram.
- Os efeitos foram mais pronunciados em áreas rurais ou não desenvolvidas do que em zonas urbanizadas; houve variação entre espécies, com alguns animais reduzindo o espaço e outros, como lobos-cinzentos, aumentando-o.
- A equipe usou dados de políticas de lockdown como indicador da atividade humana e mediu a presença semanal de pessoas em setores censitários, com dados de 2019 e 2020.
- As mudanças indicam que a vida selvagem pode se adaptar à presença humana, mas também levantam dúvidas sobre implicações para conservação, que devem considerar tanto a modificação de habitat quanto a presença humana.
O que aconteceu: uma análise publicada na revista Science aponta que a presença humana durante a pandemia de Covid-19 alterou a forma como animais selvagens utilizam espaço e recursos. O estudo cruzou dados de localização de celulares com rastreadores de aves e mamíferos.
Quem está envolvido: pesquisadores da Iniciativa de Biomonitoramento da Covid-19, com participação de ecólogos da Universidade da Califórnia em Santa Barbara e do Smithsonian. A equipe incluiu especialistas de diversas instituições internacionais.
Quando e onde ocorreu: a pesquisa analisou dados de 2019 e 2020 nos Estados Unidos, aproveitando o período de redução da atividade humana durante as medidas de isolamento social. Os dados cobriram território americano.
Como foi feito: foram combinados dados de GPS de 37 espécies com localização de celulares para medir a presença humana semanalmente, em setores censitários. Também foram avaliados movimentos de mais de 4.500 animais com rastreadores em projetos prévios.
Por que é relevante: a investigação busca entender se a mera presença humana, e não apenas a modificação do ambiente, influencia a extensão do espaço utilizado pelos animais ou a variedade de habitats explorados.
Aprofundamento dos resultados: para dois terços das espécies, a presença humana afetou a área de uso ou o nicho de habitats. Em áreas rurais ou não desenvolvidas o efeito foi mais pronunciado do que em grandes cidades.
Substituição de espaço e hábitos: em alguns espaços, quando humanos saíram, alces e veados-mula expandiram seu uso de terras. Em contrapartida, a resposta variou entre espécies, com corvos e lobos apresentando padrões distintos conforme o local.
Exemplos de variação entre espécies: lobos-cinzentos mostraram aumento no espaço utilizado, possivelmente para evitar encontros com pessoas. Já corvos em Yellowstone apresentaram comportamento diferente de cervos de Staten Island, evidenciando respostas específicas ao contexto.
Desdobramentos e próximos passos: os impactos exatos ainda não são totalmente conhecidos, incluindo se as mudanças representam adaptação bem-sucedida ou pressão ambiental. Os cientistas pretendem explorar esses aspectos em estudos seguintes.
Conclusões provisórias: a pesquisa sugere que conservar a vida selvagem requer entender ambos os efeitos: a modificação do habitat e a presença humana. Pequenas mudanças de curto prazo na atividade humana podem trazer benefícios para a conservação.
Observações sobre o método e dados
- A especificidade dos dados de localização de celulares ofereceu uma medida direta da presença humana semanal nos EUA.
- Rastreadores de mais de 4.500 animais permitiram mapear a área percorrida e o enriquecimento ou estreitamento dos nichos.
Implicações para política pública
- A possibilidade de coexistência inteligente aponta para estratégias que equilibrem acesso humano e áreas críticas de habitat.
- Medidas direcionadas, como restringir o acesso a habitats sensíveis durante períodos de reprodução, podem favorecer a conservação.
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