- Yap Jo Leen, em Penang, criou o Langur Project Penang após Towkay Soh, uma langur, ser atropelada em 2016; oito mortes de langures em estrada foram registradas entre 2016 e 2018.
- Em 2019 foi instalada a ponte canópica artificial Ah Lai’s Crossing; macaques cruzaram em três dias, langures demoraram nove meses, e hoje há várias travessias semanais, com espécies diferentes usando o corredor.
- Em 2024 foi inaugurada a Numi’s Crossing, em área residencial de alta densidade; o design horizontal levou Ah Tan e sua família a cruzarem com mais facilidade e a dispersão no bairro aumentou.
- A terceira ponte, Obscura, instalada em Batu Ferringhi, foca em convivência responsável entre moradores e vida silvestre, com atenção a gestão de resíduos e interação com animais.
- O projeto depende de cientistas-cidadãos chamados “Duskies” (cerca de 150 já cadastrados; 15 a 18 ativos) que coletam dados com Excel, Wikiloc e iNaturalist, além de promover educação ambiental e capacitação de jovens.
TANJUNG BUNGAH, Malaysia — Ação de ligações entre humanos e vida selvagem avança em Penang por meio de pontes artificiais para lontras? Não, para langures. Após oito atropelamentos entre 2016 e 2018, voluntários criaram passarelas suspensas a partir de mangueiras reaproveitadas para reduzir mortes de dusky langurs nas vias urbanas.
A iniciativa é liderada por Yap Jo Leen, criadora do Langur Project Penang (LPP). Em parceria com moradores locais e autoridades, o projeto utiliza ciência cidadã, educação ambiental e monitoramento de movimentos para promover convivência entre pessoas e primatas na ilha de Penang.
A história começa em 2016, quando Yap acompanhava a família Ah Lai e um exemplar chamado Towkay Soh, que foi atropelado. O grupo observou empatia entre fêmeas do grupo, o que motivou a ideia de intervenções para evitar novos incidentes.
Desde 2019, três pontes caniabais foram instaladas para transportar macacos e outros animais com segurança sobre estradas movimentadas. A primeira, Ah Lai’s Crossing, foi construída em Teluk Bahang e usada rapidamente pelos animais.
A segunda ponte, Numi’s Crossing, instalada em 2024, fica em uma área residencial densa. Ela atende ajustes de design para espécies com restrições de equilíbrio, como Ah Tan, um langur com cauda curta.
Em 2026, surgiu a terceira ponte, Obscura, em Batu Ferringhi. A peça visa promover hábitos de turismo responsável e reduzir conflitos com moradores, resíduos e alimentação de fauna.
Os dados são coletados por voluntários chamados Duskies, totalizando cerca de 150 participantes desde 2016. Entre eles, 15 a 18 atuam de forma contínua na observação e registro de movimentos, dietas e interações.
O trabalho também envolve pesquisa social: entrevistas com residentes de áreas vizinhas ajudam a entender percepções sobre os langures e o impacto das passarelas na convivência com a vida urbana.
Os dados são reunidos em planilhas simples, com coordenadas de localização registradas pelo aplicativo Wikiloc a cada 15 minutos. O iNaturalist auxilia na identificação de espécies de plantas consumidas.
Yap destaca que o objetivo é ampliar a participação da comunidade na conservação, não apenas realizar pesquisa. Ela vê a educação ambiental como ferramenta para engajar jovens e incentivar a responsabilidade com a natureza.
Fontes do projeto incluem parcerias com escolas locais e empresas, que apoiam programas de educação ambiental com foco em convivência sustentável entre humanos e primatas.
Entre os resultados, a equipe aponta redução de atropelamentos e mudança de comportamento de moradores, que passaram a valorizar os animais como patrimônio natural da região.
A visão de longo prazo para a LPP é fortalecer uma plataforma que incentive jovens a liderar ações locais, com possível expansão para uma fundação que garanta financiamento e continuidade das atividades.
Em resumo, Penang avança na coexistência humano-vida selvagem por meio de pontes aéreas, ciência cidadã e educação, mantendo a neutralidade e a objetividade que norteiam o trabalho.
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