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El Niño deve se consolidar nos próximos meses, apontam projeções

NOAA indica 82% de chance de El Niño consolidar-se entre maio e julho de 2026, com impactos regionais no Brasil e risco de chuvas intensas e deslizamentos

Fenômeno pode provocar chuvas intensas e temperaturas elevadas em diferentes regiões do Brasil – Foto: Manu Dias/GOVBA via Agência Brasil
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  • A NOAA divulgou relatório com 82% de chance de consolidação de El Niño entre maio e julho de 2026.
  • O fenômeno é a fase quente do El Niño-Oscilação Sul e pode alterar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do Brasil e do mundo.
  • No Brasil, tende a aumentar as chuvas no Sul, principalmente na transição entre primavera e verão, e reduzir ou moderar chuvas no Norte e no Nordeste, elevando temperaturas nessas regiões.
  • A intensidade é medida pelo índice ONI; projeções sugerem tendência a um alinhamento moderado, com simulações adicionais entre junho e julho para confirmar.
  • Agricultores, energia e defesa civil devem se preparar para mudanças na distribuição de chuvas e possíveis eventos extremos, como inundações ou estiagens, dependendo da região.

No dia 18, a NOAA, agência científica do governo dos EUA, informou que há 82% de chance de consolidação de El Niño entre maio e julho de 2026. O fenômeno envolve aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial e influência na circulação atmosférica global.

El Niño é a fase quente do ciclo ENOS, que intercala com La Niña, associada ao resfriamento das águas. O aquecimento oceânico desloca o padrão de ventos e pressões, alterando padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta, inclusive no Brasil.

No Brasil, os impactos variam por região. A região Sul tende a ter mais chuvas entre a primavera e o começo do verão, elevando o risco de enchentes e deslizamentos. Municípios litorâneos podem sofrer com inundações em áreas urbanas.

Na região Norte e no Nordeste, espera-se menor volume de chuvas e temperaturas mais altas, com maior risco de estiagens e maior demanda por água, irrigação e manejo de reservatórios.

Centros de monitoramento indicam que o El Niño pode alterar a distribuição de chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste, com efeitos dependentes da intensidade do fenômeno e da atuação de outros fatores, como a convecção tropical e a atuação de sistemas frontais.

A agricultura brasileira tende a reagir à distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo. Situações de excesso de precipitação podem retardar plantio e aumentar doenças fúnebres pela humidade; já estiagens elevam a demanda por irrigação e reduzem a produtividade.

Especialistas ressaltam que a previsibilidade evolui com o tempo. A disseminação de informações permite decisões mais oportunas em planejamento de plantio, colheita, manejo de culturas e prevenção de riscos para a população em áreas de risco.

Segundo Nádia Lima, professora da USP, a variabilidade regional do Brasil demanda avaliação contínua de cenários climáticos. As autoridades de defesa civil podem usar a prudência na organização de abrigos e deslocamentos preventivos.

Tercio Ambrizzi, da USP, destaca que o avanço tecnológico melhora a previsão dos efeitos do El Niño para setores estratégicos, como energia e agropecuária, possibilitando ajustes em operações e políticas públicas.

O uso de termos como “Super El Niño” não altera a classificação oficial. A intensidade é definida pelo Índice ONI, que mede o aquecimento da região Niño 3.4. Projeções atuais apontam tendência para intensidade moderada, com maior incerteza entre junho e julho.

As autoridades também enfatizam a importância da preparação contínua em áreas de risco, com foco na proteção de comunidades, infraestrutura e cadeias produtivas diante de eventos climáticos extremos.

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