- Estudo da Universidade de Sydney analisou mais de 700 mergulhadores em destinos nas Filipinas e Indonésia, incluindo Bali.
- Foram registrados 4.981 contatos com recifes em mais de 300 horas de observação, e cerca de 41% dos episódios causaram danos visíveis aos corais.
- Em média, os mergulhadores tocavam os recifes a cada quatro minutos e passavam quase dois segundos por minuto em contato direto.
- Mais de oitenta por cento dos contatos prejudiciais ocorreram sem percepção dos mergulhadores, com padrões psicológicos como o efeito de superioridade ilusória e o efeito Dunning-Kruger.
- A presença de fauna elevou os contatos com recifes, e uma pequena parcela de mergulhadores foi responsável pela maior parte dos danos, sugerindo necessidade de regulação e aprimoramento do treinamento.
O turismo de mergulho autônomo pode estar provocando danos silenciosos aos recifes de coral, aponta um estudo da Universidade de Sydney. A pesquisa analisou comportamentos de mergulhadores em destinos nas Filipinas e na Indonésia, incluindo Bali, entre observações de 300 horas.
Foram registradas 4.981 encostagens aos recifes por 411 mergulhadores, em mais de 300 horas de imersão. Cerca de 41% dos contatos resultaram em danos visíveis aos corais, como quebras diretas ou sedimentação que pode sufocar a vida marinha.
Em média, cada mergulhador tocava o recife a cada quatro minutos, dedicando quase dois segundos por minuto de contato direto. A maior parte dos danos não foi intencional, com mais de 80% dos contatos prejudiciais ocorrendo sem que os mergulhadores percebessem.
Resultados e padrões de comportamento
O estudo identificou fatores psicológicos ligados ao comportamento subaquático. Cerca de 75% dos participantes acreditavam estar acima da média para evitar contatos com corais, evidenciando um efeito de superioridade ilusória.
Também foi observado o efeito Dunning-Kruger: mergulhadores com menor habilidade tendiam a superestimar sua competência. Na prática, houve subestimação de quase cinco vezes na frequência de encostagens.
O uso de câmeras, luvas e bastões indicadores esteve associado a maiores taxas de contato. O comportamento de colegas influenciava a repetição do toque aos recifes quando uma pessoa tocava o ecossistema.
A presença de fauna marinha elevou os impactos: houve aumento de 220% nos contatos intencionais, 85% nos não intencionais e 106% nos episódios danosos. Pequena parcela de mergulhadores respondeu pela maior parte dos danos.
Implicações para a prática turística
Os recifes já sofrem com mudanças climáticas, poluição e sobrepesca. O estudo recomenda reforçar treinamento, endurecer padrões de certificação e ampliar orientações ambientais antes das atividades.
Segundo os autores, medidas direcionadas podem reduzir danos significativos, especialmente ao focar em mergulhadores com maior probabilidade de causar impacto.
A pesquisa destaca a necessidade de regulação do turismo subaquático para mitigar efeitos locais que se somam a outros estressores dos recifes e ameaçam a biodiversidade marinha.
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