- Em Gola Rainforest National Park, pesquisas com bioacústica e DNA sugerem que iniciativas de financiamento de carbono (REDD+) ajudam a conservar biodiversidade, não apenas o habitat.
- O estudo comparou a área protegida com uma zona comunitária com agrofloresta financiada por REDD+ e uma região na Libéria sem financiamento, utilizando paisagens como laboratório natural.
- O resultado mostrou maior saturação de som no parque em relação à zona comunitária, indicando maior diversidade de espécies, especialmente em frequências de baixo som.
- Em comparação com a Libéria, áreas REDD+ apresentaram mais espécies vocalizando ao amanhecer e ao meio-dia, enquanto a Libéria mostrou maior diversidade durante a tarde e o crepúsculo.
- A análise de DNA de artrópodes revelou biodiversidade diferente entre áreas, com a comunidade florestal tendo maior diversidade total de insetos, mas sem confirmar se isso se deve apenas ao REDD+ ou a pressões de caça locais.
A pesquisa liderada por H. S. Sathya Chandra Sagar avaliou se o financiamento de carbono via REDD+ em Gola Rainforest National Park favorece a biodiversidade local. O estudo usou gravações de som e análises de DNA para medir biodiversidade na área protegida, próxima a comunidades e a uma região na Libéria sem REDD+. Os resultados sugerem impacto positivo do REDD+ na riqueza de espécies.
A equipe comparou três ambientes: o parque, uma área comunitária com manejo agroflorestal filiado ao REDD+ e uma área na Libéria sem financiamento semelhante. Os dados indicaram maior saturação de som no parque, o que indica maior diversidade biológica sonora ao longo do dia. Na fronteira, a diferença diminui.
Os pesquisadores utilizaram gravadores bioacústicos em 133 pontos ao longo de 24 horas para medir o “som ambiente” e verificar a diversidade de frequências. A hipótese é de que ambientes com várias frequências abrigam mais espécies distintas, conforme a ideia de niched acústica.
Parcerias com uma área de agrofloresta comunitária ajudaram a isolar efeitos do REDD+. A comparação sugere que o parque protegido apresenta mais sons de aves, insetos e mamíferos, com variações de horário em que as vozes são mais audíveis.
Os métodos incluíram também metabarcoding de DNA, coletando amostras de artrópodes em armadilhas, para quantificar a diversidade real de espécies. Resultados mostraram maior diversidade de DNA em áreas não protegidas, possivelmente por diferentes tipos de habitat e perturbações humanas.
Especialistas entrevistados destacaram a importância de validações adicionais. Mesmo assim, o estudo afirma ser suficiente para sustentar que projetos REDD+ podem contribuir para conservação da biodiversidade, além de reduzir o desmatamento.
Os autores ressaltam que monitoramentos de campo de baixo custo podem complementar as avaliações de financiamento climático. O objetivo é fornecer dados acionáveis para a proteção de ecossistemas, não apenas números sobre carbono.
Sagar planeja expandir a análise com inteligência artificial para reconhecer disparos de armas e chamadas de espécies alvo, visando fortalecer a vigilância contra caça e melhorar a gestão de áreas protegidas.
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