- Cientistas confirmam o microquimerismo: células da mãe podem permanecer no corpo do filho por toda a vida.
- A presença materna é rara, estimando-se que uma em cada um milhão de células adultas tenha origem materna.
- Em experiments com camundongos, células imunes da mãe ajudam a manter a tolerância do organismo por meio de linfócitos regulatórios.
- Quando essas células são removidas dos filhotes, ocorre rejeição ao material genético da mãe, provando que a convivência é ativa e duradoura.
- O estudo, publicado na revista Immunity, aponta que o mecanismo pode impactar doenças autoimunes, câncer e transtornos neurológicos, além de abrir caminhos para novas terapias.
Foram divulgados novos resultados sobre o microquimerismo, o fenômeno pelo qual células maternas permanecem no corpo dos filhos ao longo da vida. A pesquisa é liderada pelo especialista Sing Sing Way, do Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, nos Estados Unidos. O estudo, publicado na revista Immunity, descreve o mecanismo que permite a convivência entre células maternas e o sistema imune do filho.
Durante a gestação, uma parcela de células da mãe atravessa a placenta e se aloja no feto em desenvolvimento. Estimativas apontam que uma em cada um milhão de células de um adulto tenha origem materna, mas o mistério era explicar a tolerância imunológica a essa presença.
Mecanismo descoberto
Os experimentos com camundongos mostraram que um subconjunto de células imunes da mãe — semelhantes às células da medula óssea — permanece ativo no filho por anos após o nascimento. Esses agentes estão ligados a linfócitos regulatórios, que sinalizam ao sistema imune para não atacar as células maternas.
Evidência experimental
Ao remover essas células específicas nos filhotes, os pesquisadores observaram a perda da tolerância e o início de uma resposta de rejeição ao material genético da mãe. A evidência sustenta que a aceitação é um processo ativo, não apenas um remanescente da gravidez.
Desdobramentos e perguntas abertas
Os cientistas destacam que a descoberta pode orientar estudos sobre doenças autoimunes, câncer e distúrbios neurológicos. Ainda é preciso esclarecer se as células herdadas ajudam na reparação de tecidos ou atuam como gatilhos de problemas de saúde.
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