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Missão NASA-UE de nível do mar foca em El Niño

Sentinel‑6 Michael Freilich registra onda Kelvin aquecendo o Pacífico, sinalizando El Niño e possíveis alterações globais em padrões de chuva e seca

Sentinel-6 satellite map of the Pacific Ocean (Mar 2, 2026) showing sea level anomalies in false color: red/orange = above average, green = normal, blue = below average.
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  • Dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, lançado em 2020 por NASA e parceiros europeus, indicam onda kelvin de água quente se deslocando pelo Pacífico rumo à costa da América do Sul.
  • A elevação do nível do mar em áreas específicas sinaliza aumento da temperatura da água, indicador de possível surgimento do El Niño no decorrer do ano.
  • Até a metade de maio, a região ao redor do Peru apresentava cerca de 15 centímetros acima da média histórica.
  • Ondas kelvin representam aquecimento de águas tropicais que pode influenciar padrões de vento, chuva e clima global, com impactos variados conforme a intensidade do evento.
  • A missão Sentinel-6, parte do programa Copernicus, monitora a altura da água do oceano a cada dez dias para melhorar previsões de extremos climáticos e preparar comunidades costeiras.

A missão NASA-European dedicada ao nível do mar, Sentinel-6 Michael Freilich, detectou no Pacífico uma frente de água quente com centenas de milhas de extensão, próxima à costa da América do Sul. A elevação do nível é consequência do aquecimento da água, indicando provável surgimento de El Niño ainda este ano.

Dados do satélite mostram que uma onda Kelvin quente se formou no final de janeiro perto de Micronésia, dissolvendo-se em fevereiro, e outra emergiu em março, avançando para o leste ao longo dos meses. Até maio, as águas perto do Peru estavam cerca de 15 centímetros acima da média histórica.

A missão, lançada em 2020 pela NASA e liderada pela ESA, integra o programa Copernicus da União Europeia. O objetivo é medir e mapear a altura da água oceânica a cada 10 dias, com alta precisão, para acompanhar mudanças oceânicas.

“Observação de El Niño com satélites de nível do mar permite rastrear grandes ondas Kelvin, entender a termodinâmica dos oceanos e melhorar previsões de extremos climáticos”, afirma a cientista Nadya Vinogradova Shiffer, da NASA. O monitoramento continua.

A seca e as inundações associadas ao El Niño podem variar conforme a intensidade do evento. Em anos moderados, os impactos costumam aparecer sobretudo na região tropical, com efeitos indiretos sobre padrões de circulação atmosférica mundial.

Resultados da Sentinel-6 também ajudam a antecipar impactos em costa e infraestrutura, contribuindo para planejamento de comunidades costeiras diante de possíveis alagamentos ou erosão. O período de maior impacto tende a ocorrer entre novembro e janeiro.

Seus dados reiteram que cada El Niño é único: eventos fortes costumam provocar mudanças significativas no regime de chuvas, além de ampliação de secas em algumas áreas e enchentes em outras, com variação geográfica conforme a intensidade.

A missão Sentinel-6/Jason-CS é parte de uma cooperação entre ESA, EUMETSAT, NASA e NOAA, com apoio financeiro da Comissão Europeia. No Brasil, há continuidade da leitura global de nível do mar por meio de instrumentos desenvolvidos em colaboração internacional.

Observadores ressaltam que Sentinel-6 Michael Freilich é uma das duas plataformas que compõem a missão Copernicus. O satélite substitui o predecessor no monitoramento contínuo da elevação do nível do mar, contribuindo para estudos oceânicos desde 1992.

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