- Estudo de 22 ensaios com quase 2 mil adultos com sobrepeso ou obesidade mostrou que jejum intermitente não supera dietas tradicionais para perda de peso; a diferença média foi de cerca de 300 gramas a mais no grupo que seguia o jejum em relação ao controle.
- Os modelos avaliados incluíram janelas de alimentação restrita, jejum em dias específicos, dias alternados e a dieta 5:2.
- Embora haja mecanismos fisiológicos associados ao jejum, como melhoria da sensibilidade à insulina e maior oxidação de gordura, eles não se traduzem em vantagem clínica significativa.
- O sucesso depende principalmente da capacidade de manter o regime a longo prazo; não houve subgrupos com benefício superior.
- Possíveis efeitos adversos existem, como fadiga, tontura, fome, dor de cabeça, náusea e hipoglicemia, e há cautela para pessoas com histórico de transtornos alimentares ou perda de massa muscular.
O estudo revisou 22 ensaios clínicos com quase 2 mil adultos com sobrepeso ou obesidade para comparar jejum intermitente e dietas calóricas tradicionais. A análise, publicada em fevereiro na Cochrane Library, avaliou diferentes modelos de jejum ao longo do dia, dias da semana e esquema 5:2. O objetivo foi medir impacto na perda de peso.
Os modelos avaliados incluíram janela alimentar restrita, jejum em dias específicos, dias alternados e o esquema 5:2. A hipótese é que períodos sem calorias aumentem a mobilização de gordura e promovam mudanças metabólicas. A avaliação considerou resultados de curto a médio prazo.
Os resultados mostraram que a perda de peso foi semelhante entre quem seguiu jejum intermitente e quem utilizou dietas convencionais. A diferença média foi de cerca de 300 gramas, sem significância estatística, sugerindo que o jejum não oferece vantagem sobre dietas tradicionais quando bem conduzidas.
Desempenho e nuances
O endocrinologista Rafael Scarin, do Einstein Hospital, explica que a justificativa fisiológica do jejum envolve insulina, oxidação de gordura e produção de corpos cetônicos. No entanto, esses mecanismos não se traduzem necessariamente em ganhos clínicos adicionais.
Ele ressalta que a eficácia depende da adesão e da sustentabilidade a longo prazo. Não houve identificação de subgrupos com benefício superior, o que indica que a escolha deve considerar preferências e rotina do paciente.
Questões de segurança e indicativos práticos
Os pesquisadores não encontraram aumento generalizado de riscos com jejum, em comparação às dietas tradicionais. Ainda assim, efeitos adversos como fadiga, tontura, fome excessiva, dor de cabeça e náusea podem ocorrer se o método não for bem orientado.
Especialistas alertam para cautela em indivíduos com histórico de transtornos alimentares, risco de desnutrição ou perda de massa muscular, além de quem usa medicamentos para reduzir glicose. A prática deve ser acompanhada por profissionais de saúde.
As conclusões destacam que o sucesso depende da capacidade de manter o padrão ao longo do tempo. O estudo reforça que, para muitos pacientes, a prioridade é uma alimentação controlada e sustentável dentro de uma rotina individualizada. Fontes: Agència Einstein e Cochrane Library.
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