- Manguezais da Amazônia podem concentrar até três vezes mais carbono por hectare do que florestas de terra firme.
- Manguezais degradados, com corte recente de vegetação, emitem cerca de cinco vezes mais carbono que áreas conservadas, e o estoque em manguezais preservados é estimado em 141 toneladas de carbono por hectare.
- O projeto Mangues da Amazônia, da UFPA em parceria com o Instituto Sarambuí e o Instituto Peabiru, desde 2021 estuda estoque e emissão de carbono na costa do Pará, com patrocínio da Petrobras.
- Em áreas reflorestadas, as emissões correspondem a 4% do estoque originalmente armazenado; expedições de campo ocorrem a cada dois meses em quatro Reservas Extrativistas Marinhas do Pará, beneficiando cerca de 15 mil pessoas.
- Os dados ajudam a apoiar créditos de carbono em manguezais amazônicos; parte dos resultados integra o livro Amazonian Mangrove Blue Carbon Dynamics, da Springer Nature.
Amazônia abriga a maior faixa contínua de manguezais do mundo, que se estende pela costa norte do Brasil. Pesquisas do projeto Mangues da Amazônia indicam que esse ecossistema pode armazenar até três vezes mais carbono por hectare do que florestas de terra firme, reforçando seu papel na mitigação das mudanças climáticas.
O estudo aponta que o carbono azul, armazenado no solo e na vegetação de manguezais, merece destaque em políticas climáticas nacionais. Quando degradados, esses ecossistemas podem liberar parte desse estoque para a atmosfera, aumentando o desafio de reduzir emissões.
Parágrafo: Desde 2021, o projeto acompanha estoque e emissão de carbono em áreas naturais, degradadas e reflorestadas no litoral do Pará. A iniciativa é conduzida pela UFPA, em parceria com o Sarambuí e o Peabiru, com patrocínio da Petrobras.
O que foi medido
Manguezais degradados com corte recente emitem cerca de cinco vezes mais carbono que áreas conservadas, segundo os pesquisadores. Em áreas preservadas da Amazônia, o estoque chega a 141 toneladas de carbono por hectare.
Onde e quem participa
As expedições ocorrem em Reservas Extrativistas Marinhas nos municípios de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu. Cerca de 15 mil pessoas devem ser beneficiadas direta ou indiretamente pelas ações do projeto.
Restauração e impactos
Nas áreas reflorestadas, as emissões representam 4% do carbono originalmente armazenado nos manguezais conservados. O resultado sugere que restauração pode recuperar parte da função climática desses ecossistemas.
Futuro e crédito de carbono
Os dados ajudam a fundamentar projetos de créditos de carbono em manguezais amazônicos. A estimativa mais precisa de estoque e emissão facilita decisões sobre remuneração por serviços ambientais para comunidades locais.
Divulgação científica
Parte dos resultados integra o livro Amazonian Mangrove Blue Carbon Dynamics, publicado pela Springer Nature, com análises de campo e tecnologias aplicadas. A obra ressalta a costa amazônica como ativo climático estratégico para o Brasil.
Mensagem dos pesquisadores
Os estudiosos destacam a importância de preservar manguezais não apenas pela biodiversidade, mas pela sua função climática. A preservação evita que um dos maiores estoques naturais de carbono do país vire emissões.
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