- Bactérias da Antártica produzem enzimas fotoliase que reparam o DNA, atuando dentro do núcleo das células e protegendo a pele da radiação ultravioleta.
- A equipe identificou doze linhagens produtoras dessas enzimas e três fotoliases inéditas em duas linhagens específicas: Sphingomonas sp. UV9 e Hymenobacter sp. UV11.
- Em 2023, Marizcurrena e colegas fundaram a startup Antarka para desenvolver a tecnologia e, em fevereiro, a Natura investiu 3,5 milhões de dólares para uso exclusivo das três fotoliases em seus produtos.
- Estudos indicam que as três fotoliases são capazes de reparar DNA de células humanas em laboratório; testes clínicos com humanos mostraram segurança e eficácia na pele, com melhoria de firmeza e elasticidade após 56 dias.
- A proposta é usar essas enzimas em cosméticos por meio de biofabricação, produzindo-as em alto rendimento sem contaminação associada a fontes naturais, abrindo caminho para tratamentos antiage com origem na Antártica.
Em pesquisa conduzida na Antártica, bactérias extremófilas produziram enzimas capazes de reparar o DNA danificado pela radiação UV. O trabalho mostrou potencial de aplicação em pele humana.
A equipe foi liderada pela bioquímica Susana Castro-Sowinski, com participação do pesquisador Juan José Marizcurrena, do Uruguay. A investigação começou em 2014 durante expedição ao Polo Sul.
Marizcurrena viajou de Montevidéu à Antártica, buscando microrganismos resistentes ao Sol. Ao longo dos verões seguintes, o grupo manteve a pesquisa sob supervisão acadêmica.
A descoberta apontou 12 linhagens de bactérias capazes de produzir fotoliases, enzimas que repararam danos no DNA dentro do núcleo celular. Elas atuam diretamente no código genético.
Entre as enzimas identificadas, destacam-se três fotoliases inéditas em duas linhagens: Sphingomonas sp. UV9 e Hymenobacter sp. UV11. As enzimas são ativadas pela luz e promovem reparos diretos no DNA.
Com o avanço, em 2023, Marizcurrena e as colegas Célica Cagide e Betania Martínez fundaram a startup DNAzyme, hoje chamada Antarka. A empresa foca na produção dessas fotoliases para uso cosmético.
Em fevereiro deste ano, a Natura investiu 3,5 milhões de dólares na Antarka para desenvolver e fabricar a tecnologia. Em contrapartida, a empresa brasileira ficou com uso exclusivo das três fotoliases em seus produtos.
Ensaios em células humanas mostraram que as fotoliases antárticas podem reparar danos no DNA, com aplicação prevista para produtos tópicos de pele. Estudos clínicos apontam segurança e eficácia até o momento.
Segundo Marizcurrena, após 56 dias houve melhoria na firmeza e elasticidade da pele, associadas a proteínas como colágeno e elastina. O resultado indica potencial de atuação rejuvenescedora.
Especialistas lembram que, no corpo humano, as fotoliases clássicas não são comuns desde a evolução dos mamíferos. A perda desse mecanismo é objeto de estudo sobre adaptação evolutiva, sem consenso definitivo.
O diferencial da Antarka é a produção em larga escala, por meio de bactérias programadas para fabricar as enzimas. A prática reduz riscos de contaminação comuns em extratos de plâncton usados hoje.
Para a Natura, organismos de ambientes extremos oferecem insights sobre limites da vida e aplicações em cosméticos. A empresa ressalta o potencial de fortalecer mecanismos humanos com base nesses mecanismos.
Entre na conversa da comunidade