- Tardígrados, animais de até 1,2 milímetro, resistem a 85 °C por uma hora quando estão em estado de hibernação (anidrobiose).
- Em estado ativo, eles não sobrevivem a essas temperaturas; na condição híberna, cerca de 90% sobreviveram, com alguns saindo vivos após a exposição.
- O estudo foi realizado pelo Instituto Indiano de Ciência e foi publicado em 13 de maio na Journal of the Royal Society Interface, usando a espécie Paramacrobiotus sp. de cepa BLR.
- Experimentos em tubos de PCR mostraram que a redução da condutividade térmica durante a hibernação ajuda a proteger as células internas do calor extremo.
- A pesquisa sugere que a anidrobiose envolve não apenas processos bioquímicos, mas também isolamento térmico físico, incentivando estudos sobre outras espécies de tardígrados.
Os tardígrados, minúsculos animais conhecidos como ursos d’água, resistem a condições extremas graças à anidrobiose. Em estado de hibernação, eles perdem grande parte da água corporal e reduzem o metabolismo, retomando as funções com a umidade de volta ao ambiente.
Pesquisadores do Indian Institute of Science conduziram um estudo publicado em 13 de maio no Journal of the Royal Society Interface. O objetivo foi entender como funciona o estado de hibernação e a termotolerância desses seres em temperaturas elevadas.
A espécie escolhida foi Paramacrobiotus sp. BLR, coletada em Bangalore, na Índia. Em experimentos, tardígrados vivos e em hibernação foram expostos a 45°C a 85°C por 60 minutos em tubos de PCR para avaliar a resistência.
Resultado principal
Os resultados indicaram que tardígrados ativos não suportaram as altas temperaturas, enquanto 90% dos indivíduos em hibernação sobreviveram ao mesmo regime térmico, com alguns retornando à vida após o contato com água.
Os autores explicam que a redução da condutividade térmica durante a hibernação ajuda a proteger o interior das células contra danos causados pelo calor intenso. A conclusão sugere que a anidrobiose envolve componentes físicos além dos mecanismos bioquímicos.
Implicações e futuro
A pesquisa ressalta que estratégias de isolamento térmico, presentes em diversas espécies, podem também ocorrer em tardígrados. Os cientistas pretendem investigar outras espécies para entender variações na condução de calor em ambientes extremos.
Os pesquisadores chamam a atenção para a necessidade de investigar por que a baixa condutividade térmica persiste na hibernação, levantando a hipótese de ligação com a própria anidrobiose, que ainda não é completamente compreendida.
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