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Estudo investiga se mentiras infantis influenciam adultos problemáticos

Estudo com três mil crianças revela que mentir na infância nem sempre preocupa, porém mentiras frequentes associam-se a agressividade e condenações criminais futuras

Ter o hábito de contar mentiras quando criança não deve ser necessariamente uma preocupação, mas outros comportamentos devem ser observados para identificar e prevenir consequências a longo prazo
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  • Estudo da Universidade McGill, no Canadá, analisou mais de três mil participantes de Quebec, com idades entre seis e dezenove anos, para entender ligações entre mentiras na infância e características sociais na vida adulta.
  • A maior parte das crianças apresentou níveis baixos ou em declínio de mentiras ao longo do tempo; mentir, por si só, não é um problema de comportamento para a maioria.
  • Crianças que mentiam com frequência ou cujas mentiras aumentavam ao longo dos anos eram mais propensas a apresentar agressividade, impulsividade precoce e sintomas de transtorno de personalidade antissocial.
  • Esses padrões têm associação possível com condenações criminais na vida adulta, segundo os pesquisadores.
  • A autora principal, Vitória Talwar, enfatiza intervenções precoces em vez de punições, para reduzir estigma e prevenir consequências negativas, com a ideia de acompanhar mais pessoas até a idade adulta para entender desdobramentos sociais e relacionais.

O estudo, liderado pela Universidade McGill, no Canadá, analisou trajetórias de mentiras de mais de 3 mil crianças entre 6 e 19 anos. A pesquisa acompanhou participantes de Quebec, com dados coletados por pais e professores.

Os pesquisadores avaliaram padrões de mentira ao longo do tempo e buscaram vínculo com eventos na infância e na vida adulta, como agressividade, impulsividade, saúde mental e antecedentes criminais. Os dados incluem 2 mil crianças aleatoriamente selecionadas e 1.017 com dificuldades comportamentais.

Mais de 3 mil participantes participaram do estudo, com distribuição de 47,2% meninas e 52,8% boys. Os relatos se baseiam principalmente em observações de pais e professores ao longo de várias fases do desenvolvimento.

Trajetórias de mentiras

A maioria das crianças mostrou níveis baixos ou decrescentes de mentira ao longo do tempo. Em resumo, mentir na infância não foi, para a maior parte, um indicativo de problema comportamental a longo prazo.

Contudo, crianças que mentiam com frequência ou cujas mentiras aumentavam ao longo dos anos tinham maior probabilidade de apresentar agressividade e impulsividade precoces, bem como sinais de transtorno de personalidade antissocial.

Esses padrões também estiveram associados a maior probabilidade de condenação criminal na vida adulta, segundo os pesquisadores, ainda que o conjunto não seja determinístico.

Identificação e intervenção

A equipe aponta a importância de intervenções precoces, em vez de punições reativas, para lidar com comportamentos de mentira de forma saudável. A ideia é reduzir estigma e prevenir consequências negativas.

Os autores defendem ampliar estudos que acompanhem indivíduos até a idade adulta, avaliando resultados sociais, ocupacionais e relacionais. O objetivo é apoiar profissionais clínicos no desenvolvimento moral e social de cada pessoa.

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